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<html>

<head>
<title>The Language Construction Kit</title>
</head>

<body BGCOLOR="#FFFFFF" TEXT="#000000">

<table width="100%">
  <tr>
    <td><img Align="Top" SRC="verddrop.gif"> <h2>O Kit de Constru��o de L�nguas</h2>
    </td>
    <td width="30%"><a HREF="default.html"><img src="homeg.gif" align="right" border="0" alt="Home"></a> </td>
  </tr>
</table>
<font size="4">

<hr>

<h2><a NAME="models"><img Align="Top" SRC="redball.gif">Modelos</a></h2>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="natural">L�nguas naturais e n�o
naturais</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#models">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>Eu pessoalmente gosto de l�nguas natural�sticas, ent�o as minhas l�nguas inventadas
s�o cheias de irregularidades, deriva�es l�xicas peculiares e express�es
idiom�ticas interessantes. </p>

<p>� mais f�cil, sem d�vida, criar uma l�ngua &quot;l�gica&quot;, e � desej�vel se
voc� quer criar uma interl�ngua auxiliar, � moda do Esperanto. O perigo aqui �: a)
criar um sistema t�o puro, t�o abstrato que � tamb�m imposs�vel de se aprender; ou b)
n�o notar quando voc� reproduz algumas contradi�es existentes nos modelos que voc�
est� usando. Pergunte-me sobre as <a HREF="kitespo.html">irregularidades do Esperanto</a>
<a NAME="espreturn">algum dia</a>. </p>

<hr>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="nonwest">Modelos n�o-ocidentais (ou, ao
menos, n�o portugueses)</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#models">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>Olhar algumas l�nguas n�o-Indo-Europ�ias, como o qu�chua (veja a minha <a HREF="quechua.html">introdu��o ao qu�chua</a> aqui no Metaverse), o chin�s, o turco, o
�rabe ou o su�ili, pode abrir a sua mente.</p>

<p>Aprenda outras l�nguas, se voc� puder. Se as l�nguas s�o dif�ceis para voc�,
apenas vasculhe uma gram�tica procurando id�ias legais para roubar. O livro<cite> The
World's Major Languages</cite>, de Bernard Comrie, cont�m descri�es robustas de
cinq�enta l�nguas. O livro <i>An Introduction to the Languages of the World</i>, de
Anatole Lyovin, estuda de modo facilmente leg�vel todas as fam�lias ling��sticas do
mundo, destacando pontos �teis aos turistas e dando esbo�os mais detalhados de algumas
l�nguais importantes que Comrie pula.</p>

<p>Se voc� n�o conhece bem outra l�ngua, � prov�vel que voc� v� produzir clones do
portugu�s. Olhando outras gram�ticas (ou esta p�gina HTML) pode ajudar voc� a evitar a
duplica��o da gram�tica portuguesa, e dar a voc� algumas id�ias boas para tentar; mas
a dificuldade real � o l�xico. Se tudo o que voc� conhece � o portugu�s, voc�
tender� a duplicar a estrutura e as express�es idiom�ticas do vocabul�rio ingl�s.
Abaixo eu darei a voc� algumas dicas para minimizar o problema.</p>

<hr>

<h2><img Align="Top" SRC="redball.gif"><a NAME="sounds">Sons</a></h2>

<p><a HREF="ptkit.html#sounds">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>N�o-ling�istas v�o quase sempre come�ar com o alfabeto e adicionar alguns
ap�strofos e sinais diacr�ticos. Os resultados tendem a ser algo que parece muito com o
portugu�s, tem muito mais sons do que o necess�rio, e que nem o autor consegue
pronunciar. </p>

<p>Voc� ter� melhores resultados quanto mais conhecer sobre <strong>fon�tica</strong>
(o estudo dos sons poss�veis da linguagem) e <strong>fonologia</strong> (como esses sons
s�o usados em uma l�ngua espec�fica). Refer�ncias �teis s�o <cite>A Practical
Introduction to Phonetics</cite>, de J. C. Catford (excelente para estudar em casa), e <cite>Phonology</cite>,
de Roger Lass. Abaixo est� uma r�pida introdu��o.</p>

<hr>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="conso">Tipos de consoantes</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#sounds">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>As<b><strong> </strong>consoantes</b> s�o formadas obstruindo-se a passagem do ar dos
pulm�es. Numa primeira abordagem, as consoantes variam nessas dimens�es: 

<ul>
  <li><b>Ponto de articula��o </b>-- onde a obstru��o ocorre:<ul>
      <li><b><i>labial</i></b>: l�bios (w ingl�s), l�bios + l�ngua (f) </li>
      <li><b><i>dental</i></b>: dentes (th ingl�s, t franc�s ou espanhol) </li>
      <li><b><i>alveolar</i></b>: atr�s dos dentes (s, t ingl�s, r espanhol) </li>
      <li><b><i>palato-alveolar</i></b>: bem mais atr�s dos dentes (ch, r do ingl�s americano) </li>
      <li><b><i>palatal</i></b>: top of palate (ch russo) </li>
      <li><b><i>velar</i></b>: back of the mouth (c, ng ingl�s) </li>
      <li><b><i>uvular</i></b>: way back in the mouth (q �rabe, r franc�s) </li>
      <li><b><i>glotal</i></b>: no fundo da garganta (r inicial, parada glotal como John Lennon
        falando <em>bottle</em>, em ingl�s). <p>&nbsp;&nbsp;<img src="kitcons.gif" alt="Consonant diagram"> </p>
      </li>
    </ul>
  </li>
  <li><b>Modo de articula��o</b>. Acontece em passos: <ul>
      <li>de <b><i>oclusivas</i></b> (parando totalmente a passagem do ar: p t c) </li>
      <li>a <b><i>fricativas</i></b> (impedindo-o o suficiente para causar fric��o aud�vel: f s
        ch kh) </li>
      <li>a <b><i>laterais</i></b> (impedindo-o levemente: r l w y). </li>
      <li>Uma <b><i>africada</i></b> � uma oclusiva mais uma fricativa, que devem ocorrer no
        mesmo ponto de articula��o: t + ch = tch, d + j = dj. </li>
    </ul>
  </li>
  <li><b>Sonoriza��o</b>: se as cordas vocais vibram ou n�o. � a diferen�a entre f e v, t
    e d, c e g, ch e j. </li>
  <li><b>Nasaliza��o</b>: se o ar passa pelo nariz, al�m da boca. Por exemplo, m, n e o ng
    ingl�s s�o oclusivas como b, d, g, mas apenas a passagem oral � impedida. </li>
  <li><b>Aspira��o</b>: se as oclusivas &quot;explodem&quot; levemente ou bufando-se o ar de
    modo not�vel. Em chin�s, hindi ou qu�chua, h� s�ries de oclusivas aspiradas e n�o
    aspiradas. </li>
  <li><b>Palataliza��o</b>: se a l�ngua � erguida em dire��o ao topo da boca enquanto se
    pronuncia a consoante. Em russo e ga�lico, h� diferentes s�ries de consoantes
    palatalizadas e n�o palatalizadas. </li>
</ul>

<p>As consoantes portuguesas podem ser organizadas no quadro seguinte: </p>

<pre>

              bilab  lab-dnt  lng-dnt  alv  palatais velares

oclusivas      p b              t d                    k g     

fricativas             f v             s z    ch j     

vibrantes                                r               R

laterais                                 l      lh   

nasais           m                n             nh


</pre>

<p>�s vezes o mesmo som em uma l�ngua toma diferentes formas baseadas na sua posi��o
na palavra. Por exemplo, o p ingl�s � aspirado no in�cio de uma palavra, mas
n�o-aspirado em outros lugares; ou ainda, o m ingl�s � normalmente labial, mas �
labiodental antes de um f (compare <i>schematic, emphatic</i>). </p>

<p>Os ling�istas chamam os sons b�sicos de uma l�ngua, aqueles que podem distinguir uma
palavra de outra, <strong>fonemas</strong>, e os verdadeiros sons como se pronunciam, <strong>fonos</strong>.
Eles diriam que o ingl�s tem um fonema /p/ que tem duas facetas fon�ticas ou <strong>al�fonas</strong>:
[ph] aspirado e [p] n�o-aspirado. </p>

<hr>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="invent">Inventando consoantes</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#sounds">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>Voc� notar� que a tabela de consoantes portuguesas tem lacunas. Ser� que isso
significa que voc� pode inventar novos sons para encher os espa�os? Sim, claro.</p>

<p>Por exemplo, o portugu�s tem nasais sonoras; a sua l�ngua poderia ter nasais surdas.
O portugu�s tem uma oclusiva velar mas n�o uma fricativa velar. O alem�o tem uma (o ch
em Bach); algumas l�nguas t�m duas, uma sonora e uma surda. O alem�o tamb�m tem uma
africada labial, pf. </p>

<p>Ainda mais excitante � adicionar s�ries inteiras de consoantes usando contrastes n�o
usados em ingl�s, como palataliza��o e aspira��o. Ou remover uma s�rie que o ingl�s
tem. O qu�chua de Cuzco, por exemplo, tem tr�s s�ries de oclusivas: aspiradas, n�o
aspiradas e glotalizadas, mas n�o distingue consoantes surdas e sonoras.</p>

<p>O segredo para uma l�ngua natural�stica �, na verdade, adicionar (ou subtrair)
dimens�es inteiras. � conceb�vel que uma l�ngua tenha uma �nica consoante glotal,
&nbsp; mas � mais prov�vel que ela tenha uma s�rie delas (ao longo dos pontos de
articula��o: p' t' k'). Uma l�ngua poderia ter apenas duas consantes palatalizadas (o
espanhol tem: ll, �), mas � mais t�pico uma que tenha uma s�rie inteira delas. </p>

<p>Voc� tamb�m pode adicionar pontos de articula��o. Por exemplo, enquanto o ingl�s
tem tr�s s�ries de oclusivas, o hindi tem cinco (labiais, dentais, retroflexas,
alveolo-palatais e velares. Consoantes retroflexas consistem numa pequena curva da l�ngua
para tr�s) e o �rabe tem seis (bilabiais, dentais, &quot;enf�ticas&quot; [n�o me
pergunte], velares, uvulares e glotais). </p>

<p>Algumas consoantes s�o mais comuns que outras. Por exemplo, virtualmente todas as
l�nguas t�m as oclusivas simples p t k. O livro de Lass d� exemplos; veja tamb�m <cite>The
Cambridge Encyclopedia of Language,</cite> de David Crystal, p. 165. </p>

<hr>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="vowels">Vogais</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#sounds">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>Os aspectos mais importantes das vogais s�o <strong>altura</strong> e <strong>frontalidade</strong>.

<ul>
  <li><b>Altura</b>: qu�o aberto o interior da boca est�. A escala usual �: <i><b>altas</b></i>
    [i, u], <i><b>m�dias </b></i>[e, o] e <i><b>baixas</b></i> [a]. Pode haver dois degraus
    intermedi�rios na escala, normalmente chamados <i><b>fechadas</b></i> [�, �] e <em><strong>abertos</strong></em>
    [�, �]. </li>
  <li><b>Frontalidade</b>: qu�o fechada a l�ngua est� na frente da boca. As vogais podem
    ser classificadas em <i><b>anteriores</b></i> (i, e), <i><b>centrais</b></i> (a), ou <i><b>posteriores</b></i>
    (o, u). </li>
</ul>

<p>Voc� pode organizar as vogais numa tabela de acordo com essas duas dimens�es. A base
da tabela � normalmente desenhado mais curto porque n�o h� tanto espa�o para a l�ngua
se mexer como se a boca estivesse mais aberta aberta.</p>

<p>&nbsp;&nbsp;<img src="kitvow.gif" alt="Vowel diagram"> </p>

<p>Para sentir tais distin�es, pronuncie as palavras no diagrama, de cima para baixo ou
de lado a lado, notando onde a sua l�ngua est� e qu�o perto ela est� do c�u da boca. </p>

<p>As vogais podem variar em outras dimens�es tamb�m: 

<ul>
  <li><strong>Arredondamento</strong>: se os l�bios est�o arredondados (u, o) ou n�o (i,
    e). O portugu�s n�o tem vogais frontais arrendondadas, mas o franc�s e o alem�o t�m
    (franc�s u, oe; alem�o �, �). N�s tamb�m n�o temos um u n�o-arredondado, mas o
    russo, o coreano e o japon�s t�m. </li>
  <li><b>Dura��o</b>: as vogais podem contrastar por dura��o, como em latim, grego,
    s�nscrito e velho ingl�s; o estoniano tem tr�s graus de dura��o.</li>
  <li><b>Nasaliza��o</b>: como as consoantes, as vogais podem ser nasalizadas. O franc�s,
    por exemplo, tem quatro vogais nasalizadas. </li>
  <li><b>For�a</b>: as vogais podem ser fortes ou fracas -- dif�cil de explicar. O ingl�s
    � um exemplo: vogais fracas s�o mais pr�ximas do centro do espa�o voc�lico -- veja as
    palavras <i>soot</i> e <i>sit</i> no diagrama. </li>
</ul>

<p>O ingl�s (exemplo seguinte) tem um sistema voc�lico mais ou menos complicado:</p>

<pre>

                  --fracas--              --fortes--

                ant---------post        ant--------post

altas           pit          put        peat       poot

m�dias          pet         putt        pate       boat

baixas          pat          pot        father   bought


</pre>

<p>Sistemas simples e interessantes incluem o do qu�chua (tr�s vogais, i u a) e do
espanhol (cinco: i e a o u). Sistemas voc�licos simples tendem a espalhar-se; o i
qu�chua, por exemplo, pode soar como o ingl�s <i>pit, peat </i>ou <i>pet</i>. Os fonemas
e, o espanh�is t�m dois al�fonos cada: aberto (como em <i>caf�, av�</i>) em s�labas
que terminam em consoante, fechado (as in <i>pate, pot</i>) em outros lugares.</p>

<p>Novamente, para a sua l�ngua inventada, n�o adicione apenas uma ou duas vogais
ex�ticas; tente inventar um sistema voc�lico, usando as dimens�es acima listadas. Por
exemplo, come�ando do sistema ingl�s, voc� poderia eliminar a distin��o
fortes/fracas, adicionar arredondamento e ent�o eliminar as vogais anteriores e
posteriores (h� quase sempre mais vogais altas do que baixas). </p>

<hr>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="stress">Acento t�nico</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#sounds">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>N�o se esque�a de criar regras de tonicidade. O ingl�s tem tonicidade imprevis�vel,
e se voc� n�o pensar nisso a sua l�ngua inventada acabar� funcionando assim tamb�m. </p>

<p>O franc�s (levemente) acentua a �ltima s�laba. O polon�s e o qu�chua sempre
acentuam a pen�ltima s�laba. O latim tem uma regra mais complexa: acentuar a pen�ltima
s�laba, a menos que as duas �ltimas s�labas sejam curtas e n�o sejam separadas por
duas consoantes. </p>

<p>Se a regra for absolutamente regular, n�o � necess�rio indicar o acento
ortograficamente. Se for irregular, por�m, considere indic�-lo explicitamente, como em
espanhol: <i>coraz�n, porqu�.</i> </p>

<p>Em ingl�s, as vogais s�o <strong>reduzidas</strong> para formas mais neutras ou
centralizadas quando �tonas. Esta � uma grande raz�o (ainda que n�o a �nica) pela
qual a ortografia inglesa � t�o dif�cil. </p>

<hr>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="tone">Tom</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#sounds">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>As s�labas do chin�s mandarim t�m quatro <strong>tons</strong>, ou contornos de
entona��o: n�vel alto, aumento, queda baixa e queda alta (Para <i>zhonggu�r�n</i>:
N�o, eu n�o descrevi o terceiro tom erroneamente - pense nisso). Esses tons s�o parte
da palavra, e podem ser usados para distinguir palavras de diferentes significados: <i>ma</i>
&quot;m�e&quot;, <i>m� </i>&quot;erva&quot;, <i>m�</i> &quot;cavalo&quot;, <i>m� </i>&quot;maldi��o&quot;.
O canton�s e o vietnam�s t�m seis tons. </font><font size="1">(O primeiro tom deveria
ter uma linha reta sobre a vogal, e o circunflexo sobre o terceiro tom deveria ser
invertido, mas isso � o melhor que eu posso fazer em HTML, e � melhor que p�r
n�meros.) </font><font size="4"></p>

<p>Se parece muito elaborado, considere um acento de tom, como o que eu usei em
outra l�ngua inventada, o Cu�zi: o acento t�nico de uma palavra pode ser alto ou baixo
em tom. O japon�s e o antigo grego s�o l�nguas com acento de tom.</p>

<p>No japon�s (padr�o), as s�labas podem ser altas ou baixas em tom; cada
palavra tem uma &quot;melodia&quot; particular ou seq��ncia de s�labas altas e baixas
-- ex.: <i>ikebana</i> &quot;arranjo de flores&quot; tem a melodia BABB; <i>sashimi</i>
&quot;peixe cru&quot; tem BAA; <i>kokoro</i> &quot;cora��o&quot; tem BAB. � como se um
tom tivesse que ser lembrado para cada s�laba; mas n�o vem a ser o caso. Tudo o que se
precisa aprender para cada palavra � a localiza��o do &quot;acento&quot;, a principal
varia��o de intensidade. A� � s� aplicar estas tr�s regras: 

<ul>
  <li>Associar tom alto para todas as <em>moras</em> (=s�labas, exceto vogais longas
    que tomam duas <em>moras</em>, e um -n final ou uma consoante dupla que tomam mais uma <em>mora</em>
    tamb�m.) </li>
  <li>Mudar o tom de todas as <em>moras</em> ap�s o acento t�nico para baixa</li>
  <li>Associar tom baixo � primeira mora se a segunda for alta. </li>
</ul>

<p>Assim, para <i>ike'bana</i> temos AAAA, depois AABB, e ent�o BABB. </p>

<hr>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="phono">Restri�es fonol�gicas</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#sounds">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>Toda l�ngua tem uma s�rie de restri�es em que palavras s�o poss�veis de ocorrer
na l�ngua. Por exemplo, os falantes de ingl�s sabem que palavras como <i>blick</i> e <i>drass</i>
s�o poss�veis, apesar de n�o existirem, mas <i>vlim</i> e <i>mtar</i> n�o poderiam ser
poss�veis em ingl�s.</p>

<p>Elaborando as <strong>restri�es fonol�gicas</strong> para sua l�ngua, voc� lhe
dar� pouco a pouco o seu sabor peculiar. </p>

<p>Comece com um padr�o de s�labas diferente. Por exemplo: 

<ul>
  <li>O japon�s basicamente permite apenas (C)V(V)(n): <i>Ranma, Akane, Tatewaki Kunoo,
    Rumiko Takahashi, Gojira, Tookyoo, konkuuru, sushi,</i> etc. </li>
  <li>O chin�s mandarim permite (C)(i, u)V(w, y, n, ng): <i>w�, sh�, M�igu�, r�n,
    w�ny�n, ch��n, m�nhu�, W�ng, <a HREF="zhang.shtml">Zhang</a>,</i> etc. </li>
  <li>O qu�chua permite (C)V(C): <i>Wallpakuna sarata mikuchkanku, achka allin hatun mosoq
    puka wasikuna,</i> etc. </li>
  <li>O ingl�s permite at� (s) + (C) + (r, l, w, y) + (V) + V + (C) + (C) + (C): <i>sprite,
    thinks.</i> </li>
</ul>

<p>Tente generalizar suas restri�es. Por exemplo, m + t � ilegal no in�cio de uma
palavra em ingl�s. Poder�amos generalizar isso para [nasal] + [oclusiva]. A regra contra
v + l generaliza ao menos para [fricativa sonora] + [lateral]. </p>

<p>Outro processo para se conhecer � a <strong>assimila��o</strong>. Alguns encontros
consonantais tendem a assimilar-se para o mesmo ponto de articula��o. � por isso que
encontramos, em latim, <i>in- + -port = import, ad + simil- = assimil-</i>. � por isso
que o plural -s, em ingl�s, soa como z depois de uma oclusiva sonora, como em <i>dogs</i>
ou <i>moms</i>. � por isso que a palavra <i>klomter</i>, de Larry Niven em <cite>The
Integral Trees</cite>, soa t�o falso. m + t (embora n�o imposs�vel) � dif�cil, j�
que os sons ocorrem em pontos de articula��o diferentes; ambos os sons tendem a mover-se
para a posi��o dental (<i>klonder</i>) ou labial (<i>klomper</i>). Outra ocorr�ncia
poss�vel � a inser��o de um som foneticamente intermedi�rio: <i>klompter.</i> </p>

<hr>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="alien">Bocas alien�genas</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#sounds">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>Se voc� est� inventando um l�ngua para alien�genas, voc� provavelmente ir� querer
dar-lhes sons <em>realmente diferentes</em> (se eles possu�rem fala, � claro). A
solu��o dos quadrinhos Marvel � jogar um monte de ap�strofos: &quot;Esta � a
Imperatriz Nx'id&quot;ar do planeta Bla'no'no!&quot;. Larry Niven apenas viola as
restri�es fonol�gicas do ingl�s: <em>tnuctipun</em>. Mas podemos fazer melhor. </p>

<p>Pense no formato da boca dos seus alien�genas. Ela � longa? Isso sugere mais alguns
pontos de articula��o. Talvez o pr�prio fluxo de ar funcione diferentemente; talvez
eles n�o tenham nariz, e portanto n�o possam produzir nasais; ou talvez n�o possam
parar de expirar conforme falam, de modo que todas as suas vogais se tornam nasais; ainda,
talvez a expira��o ocorra numa velocidade maior, produzindo sons de alta intensidade e
consoantes talvez mais enf�ticas. Ou talvez a sua anatomia permita alguns cliques
estranhos, estalos e estampidos que tenham virado fonemas em suas l�nguas.</p>

<p>V�rios escritores criaram criaturas com dois aparelhos fonadores, permitindo-lhes
pronunciar dois sons de uma vez ou sincronizando-os em uma dupla harmonia.</p>

<p>E que tal os sons ou s�labas que variam em <em>cor tonal</em>? Os significados
poderiam ser distintos conforme a voz soasse: como um trombone, um violino, um trompete ou
um viol�o. </p>

<p>Sugerir sons adicionais � dif�cil e talvez cansativo para o leitor; um ambiente
alien�gena pode tamb�m ser criado para remover dimens�es fon�ticas inteiras. Um
alien�gena poderia n�o conseguir produzir sons sonoros (assi ele soa u pouco copo um
Cherman) ou, na falta de l�bios, poderia pular as labiais (roc� derre razer isso rara
ser u rentr�loco, tanr�i).</p>

<hr>

<h2><img Align="Top" SRC="redball.gif"><a NAME="alphabets">Alfabetos</a></h2>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="orthography">Ortografia</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#alphabet">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>Uma vez que voc� j� tenha os sons da sua l�ngua, voc� ir� querer criar uma
ortografia -- isto �, um modo padr�o de representar tais sons no alfabeto romano. </p>

<p>Eu n�o recomendo a voc� ser muito criativo aqui. Por exemplo, voc� poderia
representar <b>a e i o u</b> como <b>� � ee aw �</b>, com os assentos invertidos no
final da palavra. Uma ortografia extravagante � provavelmente uma tentativa de tornar
esquisito um sistema fon�tico que n�o se afasta muito do portugu�s. Trabalhe nos sons,
e depois ache um meio de escrev�-los de um modo fiel. </p>

<p>Se voc� est� inventando uma l�ngua para um mundo fantasioso, � bom que voc� se d�
conta de como os leitores lus�fonos v�o desfigurar as suas belas palavras. Tolkien � o
modelo aqui: ele escrevia <strong>Quenya</strong> como se fosse latim, n�o introduziu
ortografias dif�ceis e gentilmente indicou que os e's finais deveriam ser pronunciados.
Ainda, ele n�o resistia a afirmar que c e g eram sempre duros (nem eu, no Verduriano), o
que provavelmente vem mostrar que v�rios desses nomes (ex.: Celeborn) s�o comumente mal
pronunciados. </p>

<p>Marc Okrand, inventando o <strong>Klingon</strong>, teve a inteligente id�ia de usar
letras mai�sculas e min�sculas com diferentes valores fon�ticos. Isso tem a vantagem de
dobrar as letras dispon�veis sem usar diacr�ticos, mas n�o � muito est�tico e com
certeza sobrecarrega a mem�ria. </p>

<p>Ou ent�o voc� pode ir por simplicidade, como eu fiz inventando o Verduriano. Eu n�o
gosto de d�grafos, ent�o adaptei a ortografia tcheca -- <img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="ch" Src="ch.gif"> para ch, <img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="sh" Src="sh.gif"> para sh, etc. Isso acabou envolvendo a cria��o de uma fonte
Macintosh especial, ent�o eu provavelmente era louco (Note, entretanto, que fontes para
l�nguas europ�ias n�o-ocidentais s�o abundantes hoje em dia). </p>

<p>Um senso de varia��o entre as na�es do seu mundo pode ser alcan�ada usando-se
diferentes estilos de translitera��o para cada uma. No meu mundo fantasioso, por
exemplo, o Verduriano <img ALIGN="Baseline" width="11" height="17" alt="dh" Src="dhc.gif">arcaln
e o Barakhinei Dh�rkalen n�o s�o pronunciados muito diferentemente, mas as ortografias
diferentes d�o a cada um um &quot;aroma&quot; diferente. Com certeza voc� preferiria
visitar a civilizada <img ALIGN="Baseline" width="11" height="17" alt="dh" Src="dhc.gif">arcaln
do que a escura e taciturna Dh�rkalen? (Peguei voc�. � o mesmo lugar.) </p>

<p>Se voc� est� inventando uma <strong>interl�ngua</strong>, � claro, voc� n�o se
preocupar� muito com as conven�es do ingl�s; crie a mais fiel romaniza��o que voc�
puder. Voc� estar� procurando confus�o, entretanto, se voc� inventar novas marcas
diacr�ticas, como o inventor do Esperanto fez. </p>

<hr>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="alphabet">Um exemplo</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#models">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>Aqui est� o alfabeto que eu criei para o Verduriano:</p>

<p align="center"><img width="449" height="52" SRC="alphabet.gif"> </p>

<p>Note que h� uma correspond�ncia perfeita entre o alfabeto verduriano e a
representa��o padr�o inglesa. Isso n�o � muito natural�stico -- esquemas de
translitera��o n�o s�o t�o precisos -- mas � um bom lugar onde come�ar. Uma vez que
voc� possa ler fluentemente seu pr�prio alfabeto, sinta-se � vontade para complicar.</p>

<p>Um bom alfabeto n�o pode ser criado em um dia. Esse tomou forma em algumas semanas,
enquanto eu testava v�rias formas para as letras.</p>

<p>Fa�a com que as letras sejam diferentes. Os melhores alfabetos se espalham no espa�o
gr�fico conceitual de modo que as letras n�o se confundam entre si. Tolkien � um mau
exemplo aqui: os elfos deveriam ser atormentados por dislexia. Se as letras come�am a
aproximar-se umas das outras demais, os usu�rios encontram formas de distingui-las, assim
como programadores escrevem o zero com um risco. Os europeus escrevem 1 com um risco
introdut�rio elaborado, imposs�vel de confundir com I, mas parecendo com um 7, que
adquiriu portanto um risco horizontal!</p>

<p>Lembre-se que as letras s�o escritas v�rias vezes na vida de um indiv�duo ou de uma
civiliza��o. Letras elaboradas tendem a ser simplificadas. Voc� pode simular esse
processo escrevendo a letra v�rias vezes voc� mesmo; as simplifica�es apropriadas
v�o se sugerir automaticamente. </p>

<p>Note que eu criei formas mai�sculas e min�sculas, como nos alfabetos grego e romano.
As letras min�sculas s�o simplifica�es cursivas das formas mai�sculas (que s�o
tamb�m formas antigas). Olhando para tr�s, eu provavelmente n�o deveria ter imitado o
sistema misto mai�sculas-min�sculas, que no nosso mundo � basicamente limitado aos
alfabetos ocidentais. Eu deveria ter mantido a forma mai�scula para os tempos antigos e a
forma min�scula para os tempos modernos. </p>

<p>Eu tentei dar �s letras hist�rias individuais, como no nosso alfabeto. A letra <strong>t</strong>,
por exemplo, deriva da figura de um pote, <strong>touresiu</strong> em Cu�zi; o <strong>n</strong>
era originalmente a figura de um p� (<strong>nega</strong>). Eu tenho que admitir que eu
fiz isso de tr�s para a frente -- eu inventei pictogramas que poderiam ter-se
desenvolvido como letras, as quais eu tinha elaborado anos antes!</p>

<p>Note tamb�m que as consoantes sonoras mai�sculas s�o simplesmente as formas surdas
com uma barra sobre elas (isso � um pouco dissimulado com d e t), e as letras para <img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="sh" Src="sh.gif"> <img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="ch" Src="ch.gif"> <img ALIGN="Baseline" width="10" height="14" alt="zh" Src="zh.gif"> s�o todas claras varia�es uma da outra. Isso viola um pouco a
minha regra da &quot;m�xima distin��o&quot;, mas eu acho que d� interesse ao alfabeto.</p>

<p>Voc� tamb�n notar� tanto <strong>c</strong> quanto <strong>k</strong> no alfabeto.
� o tipo de etnocentrismo no qual � f�cil de cair. Por que outra l�ngua duplicaria a
hist�ria problem�tica do c e do k do nosso alfabeto? Eu reinterpretei esses s�mbolos
como referindo-se a /k/ e /q/.</p>

<hr>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="diacrit">Diacr�ticos</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#alphabet">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>Um conselho: nunca use uma marca diacr�tica sem dar-lhe um significado espec�fico,
especialmente um que ela ret�m em todos os seus usos. Eu cometi esse erro em Verduriano:
eu usei � e � como em alem�o, mas � mais ou menos como em russo (indicando a
palataliza��o da consoante anterior) e � como uma simples duplicata de a. Eu fui mais
esperto em Cu�zi: o circunflexo indica sempre um acento de intensidade baixa. </p>

<p>Evite usar ap�strofos apenas para fazer as palavras parecerem estrangeiras ou
alien�genas. Como ap�strofos s�o usados de modos contradit�rios (eles representam a
oclusiva glotal em russo, aspira��o ou o fim de uma s�laba em chin�s e sons omitidos
em ingl�s, franc�s e italiano), eles acabam por n�o sugerir nada ao leitor.</p>

<hr>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="fancy">Sistemas de escrita mais
fantasiosos</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#alphabet">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>O que, voc� diz que quer construir um silab�rio? Uma forma cursiva do seu alfabeto?
Um sistema logogr�fico?</p>

<p>Leia um bom livro sobre como os sistemas de escritas funcionam.<cite> Writing Systems</cite>,
de Geoffrey Sampson, � um �timo livro.</p>

<p>Se parece muito, leia sobre o tipo de sistema de escrita que voc� quer imitar: <a HREF="yingzi/yingzi.htm">caracteres chineses</a>, o silab�rio japon�s ou o maia, o
alfabeto sil�bico do s�nscrito, o c�digo caracter�stico do coreano, o alfabeto
totalmente cursivo do �rabe, e assim por diante.</p>

<p>Um livro como <cite>Languages of the World</cite>, de Kenneth Katzer, d� exemplos de
uma vasta gama de escritas. <cite>The World's Major Languages</cite>, de Comrie, faz o
mesmo, mas detalha mais. Ou invista no gorila da �rea, <cite>The World's Writing Systems</cite>,
de Daniels &amp; Bright, que custa 800 libras (!) e explica como <em>todos</em> os
sistemas de escrita no mundo funcionam. </p>

<p>Note que silab�rios logogr�ficos tendem a funcionar melhor com l�nguas que t�m uma
estrutura sil�bica muito limitada -- o japon�s, com (C)V(n), � perto do ideal; o
ingl�s � perto do indesej�vel.</p>

<hr>

<h2><img Align="Top" SRC="redball.gif"><a NAME="lexicon">Constru��o de palavras</a></h2>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="howmany">Quantas palavras s�o
necess�rias?</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#lexicon">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>Onde a vaca das <em>conlangs</em> vai, at� o boi da <b>Fala R�pida</b> com certeza
vai atr�s. Deixe que Robert Heinlein explique: </p>

<blockquote>
  <p>H� tempos, Ogden e Richards tinham mostrado que oitocentas e cinq�enta palavras eram
  vocabul�rio suficiente para exprimir qualquer coisa que pudesse ser expressa por
  vocabul�rios humanos &quot;normais&quot;, com a ajuda de um punhado de palavras especiais
  -- cento e poucas -- para cada campo espec�fico, como corridas de cavalos ou bal�stica.
  Quase os mesmos fon�ticos tinham analisado todas as l�nguas humanas em cento e poucos
  sons, representados pelas letras de um alfabeto fon�tico geral.<br>
  ... Um s�mbolo fon�tico era equivalente a uma palavra inteira em uma l�ngua
  &quot;normal&quot;, uma palavra da Fala R�pida era igual a uma frase inteira.<br>
  --&quot;Gulf&quot;, em <cite>Assignment in Eternity</cite>, 1953</p>
</blockquote>

<p>Isso � uma id�ia tentadora, porque promete poupar-nos um bom trabalho. Por que
inventar milhares de palavras se cem bastam?</p>

<p>A infeliz verdade � que <strong>Ogden e Richards trapacearam</strong>. Eles conseguiam
reduzir o vocabul�rio do Ingl�s B�sico demais aproveitando-se da substitui��o de
express�es idiom�ticas como <i>ir mal</i> por <i>fracassar </i>(em ingl�s, claro). Isso
pode poupar uma palavra, mas ainda � um elemento l�xico que precisa ser aprendido como
uma unidade, n�o importando as suas partes componentes. E ainda, o processo inteiro era
altamente irregular (<i>Ir bem </i>n�o quer dizer <i>prosperar</i>).</p>

<p>A id�ia da Fala R�pida pode parecer algo que se baseia em informa�es como a de que
80% de um texto em ingl�s fazer uso das 3000 palavras mais freq�entes, e 50% faz uso de
apenas 100 delas. Entretanto (como o ling�ista Henry Ku<img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="ch" Src="ch.gif">era mostra), h� uma <strong>rela��o inversa entre
freq��ncia e conte�do informativo</strong>: as palavras mais freq�entes s�o
funcionais (preposi�es, part�culas, conjun�es, pronomes), que n�o contribuem muito
para o significado (e, na verdade, podem ser eliminadas completamente, como nas manchetes
de jornais), enquanto que as palavras menos freq�entes s�o importantes palavras com
conte�do. N�o � muito vantajoso entender 80% das palavras em uma frase se os 20%
restantes s�o os mais importantes para entender o seu sentido. </p>

<p>O outro problema � que <strong>redund�ncia n�o � um defeito, � uma caracter�stica</strong>.
Claude Shannon mostrou que o conte�do informativo dos textos ingleses era mais ou menos
de um bit por letra -- n�o t�o alto, considerando que para os textos em geral � de mais
ou menos cinco bits por letra. Parece ineficiente, n�o �? Por outro lado, na verdade
n�o ouvimos todos os sons (ou, se somos leitores perfeitos, lemos todas as letras) numa
palavra. N�s usamos a redund�ncia intr�nseca das l�nguas para entender, de algum modo,
o que � dito.</p>

<p>Em outras &quot;palavras&quot;: vc pd ntndr m txt prtgs sm s vgs, ou em sotaques
diferentes, ou numa ruidosa linha telef�nica. A fala r�pida, distorcida desse jeito,
seria imposs�vel de ser entendida, j� que morfemas inteiros estariam faltando ou
corruptos. Muito provavelmente o grau de redund�ncia das l�nguas humanas � precisamente
calibrado para o m�nimo n�vel de informa��o necess�ria, mesmo com os n�veis de
distor��o t�picos.</p>

<p>No entanto, v� em frente e brinque com a id�ia da Fala R�pida. � bom para algumas
horas de divers�o trabalhar com a menor quantidade de sons que voc� puder; e o h�bito
da par�frase que ela d� � muito �til na cria��o de l�nguas. Apenas n�o leve muito
a s�rio; se voc� o fizer, sua puni��o ser� aprender 850 palavras de qualquer l�ngua
estrangeira atual e instalar-se numa cidade de falantes monol�ng�es dessa l�ngua. </p>

<hr>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="apriori">L�nguas estranhas ou <em>a
priori</em></a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#lexicon">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>Se voc� est� fazendo uma l�ngua para um mundo diferente, voc� com certeza quer
palavras que n�o soem como nenhuma l�ngua existente. Para isso, voc� apenas precisa
criar palavras que usam os sons e a estrutura de s�laba da sua l�ngua.</p>

<p>Isso pode rapidamente tornar-se cansativo. Eu n�o aconselho voc� a sentar e criar cem
palavras de uma vez; voc� poder� perder a inspira��o, ou achar que todas as palavras
est�o come�ando a soar iguais. Voc� tamb�m acabar� por criar novos radicais, sendo
que voc� poderia, mais facilmente, derivar a palavra de radicais existentes.</p>

<p>N�o � dif�cil criar programas de computador que geram palavras aleatoriamente para a
sua l�ngua (at� respeitando a sua estrutura de s�labas). Se voc� o fizer, lembre-se de
que os sons (e estruturas de s�labas) n�o s�o equacionadamente distribu�dos nas
l�nguas naturais. O ingl�s usa mais t�s que efes, e mais efes que z�s. </p>

<p>Resista � tenta��o de dar um significado a todas as s�labas poss�veis. L�nguas
reais n�o funcionam assim (a menos que o n�mero de possibilidades seja muito baixo).
Mesmo se voc� estiver trabalhando numa l�ngua auxiliar altamente estrutural, voc� ir�
querer um espa�o de &quot;manobras&quot; para uma expans�o futura. E os falantes da sua
l�ngua n�o deveriam ter que jogar fora uma velha palavra sempre que quisessem criar um
neologismo ou uma abrevia��o. </p>

<p>Voc� ir� querer uma mistura de comprimentos de palavras por variedade; mas n�o
invente palavras muito compridas. � melhor derivar palavras longas combinando palavras
mais curtas, ou adicionando sufixos. Ou ainda, imitando o modo como o portugu�s � cheio
de empr�stimos polissil�bicos do grego e do latim, ou o modo como o japon�s � cheio de
empr�stimos chineses, crie duas l�nguas, e construa palavras em uma que sejam
componentes na outra. </p>

<hr>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="half">Alguns empr�stimos um pouco
percept�veis</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#lexicon">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>Eu quis que o Verduriano parecesse levemente familiar, como se pudesse ser um parente
distante das l�nguas europ�ias. Por exemplo: </p>

<blockquote>
  <b><p>Sul A<img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="dh" Src="dh.gif"> e ot�l
  mudray dy t�, dalu es�, er ya ce<img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="ch" Src="ch.gif">el rho sen e s�nul.</b> <br>
  Somente Deus � t�o s�bio quanto v�s, meu rei, e mesmo disso eu n�o estou certo.</p>
</blockquote>

<blockquote>
  <b><p>So cuon er so ailuro eu druki. Cuon ride <img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="sh" Src="sh.gif">e <img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="sh" Src="sh.gif">lu<img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="sh" Src="sh.gif">ir misot�m ailurei. So
  ailuro e ara<img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="sh" Src="sh.gif">� rizuec.</b>
  <br>
  O c�o e o gato s�o amigos. O c�o ri das piadas do gato. O gato � muito engra�ado.</p>
</blockquote>

<p>Para alcan�ar essa impress�o, eu tomei empr�stimos de algumas l�nguas terrestres --
ex.: <b>ailuro</b> &quot;gato&quot; e <b>cuon</b> &quot;c�o&quot; s�o adaptados do
grego; <b>sul</b> &quot;somente&quot; do franc�s; <b>rizir</b> &quot;divertir&quot; e <b>ya</b>
&quot;realmente&quot; do espanhol; <b>druk</b> &quot;amigo&quot; e <b><img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="sh" Src="sh.gif">lu<img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="sh" Src="sh.gif">ir</b> &quot;ouvir&quot; do russo. A
ortografia agrad�vel e a simples estrutura sil�bica (C)(C)V(C) tamb�m ajudam a tornar a
l�ngua convidativa.</p>

<p>Ao contr�rio, outra l�ngua, o <b>Xurn�<img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="sh" Src="sh.gif"></b>, foi planejado para parecer mais estranho: </p>

<blockquote>
  <b><p>Ir nevu jadzies mno<img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="sh" Src="sh.gif">udacij.
  Toc <img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="sh" Src="sh.gif">izen ri tos bunja<img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="ch" Src="ch.gif">i <img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="sh" Src="sh.gif">asik rili. Tos denjic <img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="sh" Src="sh.gif">u<img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="sh" Src="sh.gif"> bunji dis kezi. Syu <img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="sh" Src="sh.gif">a<img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="ch" Src="ch.gif">o
  cu <img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="sh" Src="sh.gif">u<img ALIGN="Baseline" width="7" height="14" alt="sh" Src="sh.gif"> izraugi.</b> <br>
  Minha sobrinha est� namorando um escultor. Ela n�o v� defeitos nele. Ele espera um dia
  governar uma prov�ncia. Eu pessoalmente n�o invejo essa prov�ncia.</p>
</blockquote>

<hr>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="existing">L�nguas baseadas em l�nguas
existentes</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#lexicon">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>Interl�nguas normalmente se baseiam em l�nguas existentes; por exemplo, o esperanto
� baseado principalmente no franc�s, no italiano, no alem�o e no ingl�s. Aqui o
problema de criar palavras se reduz ao de comprar bons dicion�rios.</p>

<p>Alguns criadores de l�nguas tentaram abordar o processo sistematicamente -- ex.:
Interl�ngua � baseada em nove l�nguas, e quase sempre adota a palavra achada na maioria
delas. </p>

<p>O Lojban usa uma variedade maior de l�nguas, incluindo algumas n�o-ocidentais, e usa
um algoritmo estat�stico para produzir uma forma intermedi�ria. A inten��o � criar
ajuda mnem�nica para uma vasta gama de falantes. � uma id�ia intrigante, embora a sua
execu��o seja t�o sutil que a l�ngua � quase sempre confundida com uma <em>a priori</em>,
ou estranha.</p>

<hr>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="soundsym">Simbolismo sonoro</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#lexicon">[voltar ao esquema]</a> </p>

<p>Alguns ling�istas reclamam ter achado alguns padr�es comuns de significado entre as
l�nguas humanas. Por exemplo, diz-se que vogais anteriores (i, e) sugerem miudeza, maciez
ou intensidade alta e que vogais altas e posteriores (a, u, o) sugerem grandeza,
sonoridade ou intensidade baixa. Compare as palavras inglesas <i>itty-bitty, whisper,
tinkle, twitter, beep, screech, chirp </i>com <i>humongous, shout, gong, clatter, crash,
bam, growl, rumble<em>;</em></i> ou o espanhol <i>mujercita</i> &quot;mulherzinha&quot;
com <i>mujerona</i> &quot;mulherona&quot;. Cecil Adams aproveitou esse padr�o quando ele
comentou, no tema da cirurgia de aumento do p�nis, que &quot;se a natureza equipou voc�
com um pipizinho ao inv�s de um pipiz�o, ent�o n�o resta alternativa sen�o viver com
ele&quot;. </p>

<p>Exce�es n�o s�o dif�ceis de achar, � claro -- notavelmente o ingl�s <i>small</i>
&quot;pequeno&quot; e <i>big</i> &quot;grande&quot;. </p>

<p>Ao inventar l�nguas estranhas, os autores tamb�m simplesmente fazem uso do que
poder�amos chamar estere�tipos fon�ticos. O Orkish de Tolkien, por exemplo, faz grande
uso de sons guturais e � cheio de consoantes, enquanto as l�nguas dos elfos s�o mais
voc�licas, e parecem ter muitos sons &quot;agrad�veis&quot; como eles e erres. </p>

<hr>

<h3><img Align="Top" SRC="greenball.gif"><a NAME="dontcopy">Algumas dicas para n�o
reinventar o vocabul�rio portugu�s</a></h3>

<p><a HREF="ptkit.html#lexicon">[voltar ao esquema]</a> 

<ul>
  <li>Se o significado literal de uma express�o n�o faz sentido (ex.: &quot;ir bem&quot;,
    &quot;a todo vapor&quot;, &quot;n�o ir com a cara de algu�m&quot;, &quot;sem viva alma&quot;),
    voc� est� provavelmente lidando com uma express�o idiom�tica. Traduza-as usando
    express�es com sentido literal (&quot;prosperar&quot;, &quot;em capacidade total&quot;,
    &quot;n�o gostar de algu�m&quot;, &quot;desabitado&quot;) ou crie suas pr�prias (&quot;rir
    ao inferno&quot;, &quot;jogar abelha&quot;, &quot;circular o seu olho em algu�m&quot;,
    &quot;estar soprado e vestido&quot;). </li>
  <li>Folheie a se��o estrangeiro-portugu�s de um dicion�rio bil�ng�e. Olhe o conjunto
    de significados portugueses que uma palavra estrangeira espec�fica tem: pense sobre qual
    conceito de radical poderia abrang�-las todas. Olhe as palavras estrangeiras usadas para
    traduzir uma �nica palavra inglesa: tente ver quais distin�es a l�ngua estrangeira
    est� fazendo quando o ingl�s usa essa palavra.</li>
  <li>Derive o seu l�xico de radicais b�sicos usando processos regulares de deriva��o. </li>
  <li>Veja a etimologia da palavra portuguesa. Veja se voc� pode criar um processo
    alternativo. </li>
  <li>Considere uma classe inteira de palavras inglesas relacionadas -- verbos de movimento,
    por exemplo. Elabore a relativa classe de palavras em sua l�ngua, dividindo o espa�o
    conceitual a seu modo.</li>
  <li>Leia <cite>Metaphors We Live By</cite>, de Lakoff e Johnson. Crie as suas pr�prias
    met�foras e o vocabul�rio que vai com elas. </li>
  <li>Leia um texto sobre sem�ntica (<cite>Semantics</cite>, de Palmer, � curto; <cite>Japanese
    and the Japanese: Words in Culture</cite>, de Takao Suzuki, assim como <i>Words in Context</i>,
    � �timo) para conhecer mais sobre a estrutura do l�xico.</li>
  <li>Para uma l�ngua de fantasia, pense na cultura que a l�ngua serve. Quais conceitos s�o
    mais importantes para ela? Eles tender�o a ter muitos sin�nimos, ou mesmo a refletir-se
    diretamente na gram�tica. Qual � a sua hist�ria ou mitologia? Elas provavelmente
    gerar�o um grande n�mero de palavras derivadas.</li>
</ul>
</font>

<p><a HREF="ptkit.html#grammar">[voltar ao esquema]</a> <a HREF="ptkitgram.html">[para a
gram�tica]</a> </p>

<p align="center"><a HREF="default.html"><img src="homeg.gif" border="0" alt="Home"></a> </p>
</body>
</html>


Anon7 - 2021