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<title>Gerald Thomas & Dry Opera Company</title>
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<H1>Sangue, humor e cutucadas</H1>
<p class="subhead">April 1, 2012
</p>
<p class="byline">By Helena Carnieri - Gazeta do Povo</p>
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<p>A pe�a que Gerald Thomas traz hoje ao Festival de Teatro, Garg�lios, mant�m suas cutucadas pol�ticas, mas agora no campo internacional. Os ditadores do Oriente M�dio s�o satirizados, numa resposta ao horror do ataque �s duas torres, que ele viu da janela de casa em Nova York. As vers�es que estrearam em Londres (Throats) e S�o Paulo foram mexidas, tanto no texto quando no elenco, que agora inclui tr�s curitibanos (Roger Batista, Michele Rodrigues e Jussane Ferraz) � dependurados e pingando sangue. O diretor abre o espet�culo tocando baixo. Nessa entrevista exclusiva � Gazeta do Povo, concedida no hotel em que est� hospedado em Curitiba, Gerald diz que um teatro que n�o se renova n�o faz sentido. Confira a seguir alguns trechos da conversa:</p>
<p><strong>Voc� mudou alguma coisa em Garg�lios desde a estreia em S�o Paulo?</strong></p>
<p>Muito, muda muito. Tem dois brasileiros agora no elenco. Eu matei dois ingleses, est�o flutuando no Rio T�misa. E escolhi dois brasileiros que em S�o Paulo ficavam pendurados, a L�via Camargo e o Diogo Pasquim. Saem Adam Napier e Lucy Nang. E o texto inteiro � novo para Curitiba. Resta muito pouca coisa da vers�o de S�o Paulo, o texto vai progredindo. Eu chamo de work in progress. Eu me canso... uma pe�a tem que ter uma din�mica. J� que a gente est� indo para um festival � onde, ali�s, fiz a primeira edi��o, The Flash and Crash Days, com Fernanda Montenegro e Fernanda Torres. O �nico prop�sito de se fazer teatro � poder mudar dia a dia as coisas, incorporar eventos pol�ticos que aconteceram. Por exemplo, hoje entrou o terremoto no Chile de ontem [25 de mar�o]. Se a pe�a � uma coisa fechada como cinema, em que a lata � fechada e viaja, n�o faz sentido. Teatro � legal porque eu vou mudando de pa�s em pa�s. Cada vez mais os atores ingleses est�o falando bobagens brasileiras e os brasileiros est�o falando bobagens em ingl�s. A portuguesa [Maria de Lima, uma das atrizes da pe�a] n�o tem jeito, ela s� fala bobagem mesmo, porque � portuguesa, afinal de contas. Ela � �tima.</p>
<p><strong>O que voc� acha do teatro est�tico, de quem n�o modifica suas pe�as?</strong></p>
<p>Careta, ca�a-n�quel. Idiotas, bobos, panaca, panac�o, panqueca, panquec�o, crepe, crep�o.</p>
<p><strong>Da cena de Londres, h� coisas que te influenciaram?</strong></p>
<p>Eu n�o vou ao teatro. Eu detesto teatro. Voc� acha que um motorista de t�xi, no dia em que n�o trabalha, pega um t�xi? No dia em que n�o vou ao meu teatro fazer pe�a, eu n�o vou ver pe�a dos outros. N�o tenho o menor interesse em teatro. Eu tenho interesse em outras artes, em ci�ncias, outras coisas. Eu j� vi tudo. Tudo j� foi feito.</p>
<p><strong>E nesse retorno ao Brasil, desde julho, com a estreia de Garg�lios em S�o Paulo, o que achou do teatro... que n�o viu?</strong></p>
<p>[Risos] O que eu n�o vi achei maravilhoso... o que eu vi j� n�o achei t�o maravilhoso. N�o vou falar sobre teatro. Assim como n�o vou falar de pol�tica. Eu me envolvo com pol�tica americana. S�. E essa � a �nica pol�tica que me interessa. Mesmo a inglesa � uma chatice. Obama me interessa. E essa � uma coisa pela qual eu luto, sou ativamente membro do partido Democrata, fa�o textos. Fora isso, Dilma, Ch�vez, Cristina [Kirchner], que vivam uma vida �tima.</p>
<p><strong>Em Garg�lios h� cr�tica pol�tica?</strong></p>
<p>Falo da S�ria, dos ditadores, [Muamar] Kadafi, mortos e n�o mortos. � pol�tico na medida em que eu critico a nossa fixa��o por super-her�is que v�o salvar todo mundo. E eu sou testemunha ocular da queda do World Trade Center, que pode ter sido um compl� que incluiu o criminoso George W. Bush e o criminoso Dick Cheney [ex-vice-presidente dos EUA], que espero que morra amanh�, ou hoje, ou ontem. A economia americana est� na merda por causa dos gastos de uma guerra que n�o precisava ser feita. E a guerra no Afeganist�o j� dura duas vezes e meia a mais que a do Vietn�. Estamos em duas guerras com toda tecnologia e n�o conseguem ser breves. A coisa se estende, � uma loucura. Tudo isso est� ligado ao fato de os EUA se considerarem a pol�cia n�mero 1 do mundo. Os avi�es que atingiram as torres sa�ram de Boston, e voaram meia hora fora do radar. N�o era para os ca�as terem subido e feito alguma coisa? Ningu�m se mexeu, ent�o algu�m sabia e estava de acordo. Colin Powell [ex-secret�rio de Estado norte-americano] estava estrategicamente em Lima, no Peru.</p>
<p><strong>Qual seu pr�ximo projeto?</strong></p>
<p>Morrer.</p>
<p><strong>E antes disso?</strong></p>
<p>Estou em Curitiba. Acho que foi no espet�culo Ventriloquist ou Trag�dia Rave, no Guairinha, em que uma atriz l� em uma carta: "Curitiba � o melhor lugar para morrer". J� que estou aqui vou aproveitar. N�o sei qual o pr�ximo projeto. Tem muitos. Uma �pera com John Paul Jones, ex-baixista do Led Zeppelin, chamada Sonata Fantasma, baseada num conto de Strindberg. Tem uma �pera com Philip [Glass], Akhnaten, que vou fazer de novo. Tem um livro com meus desenhos saindo, e um projeto com [o dramaturgo] Bob Wilson. E uma �pera baseada na vida de tr�s gera�es de Hemingways. Ernest, Gregory e John. Sou muito amigo do John, estamos trabalhando nisso. Ernest foi um americano super antiamericano, reportou com [George] Orwell sobre a Guerra Civil Espanhola. Ele teve um filho, que � o pai do John, que morreu mulher. Cortou o p�nis fora, implantou seio, e um dia pirou, como muitos transexuais piram, e um dia saiu correndo por Miami nu. Foi preso [e morreu na cadeia]. A fam�lia � muito tr�gica. Mas pe�a mesmo... como eu comecei com Beckett, fiz 12 pe�as dele, vou tentar readaptar. Fiz com 28 anos, fazem 30. Acho interessante remontar esse homem que me deu seis anos de aten��o da vida dele. Se chamar� Dublin porque ele era irland�s e acabamos de chegar de l�.</p>
<p><strong>Todo mundo tem medo de voc�...</strong></p>
<p>Que bom! Sou muito fraquinho. Qualquer um me derruba com um soco, mas o medo � t�o grande que ningu�m chega perto.</p>
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</td></tr>
</table>
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