KGRKJGETMRETU895U-589TY5MIGM5JGB5SDFESFREWTGR54TY
Server : Apache/2.4.62
System : FreeBSD fbsdweb2.web.rcn.net 14.1-RELEASE FreeBSD 14.1-RELEASE releng/14.1-n267679-10e31f0946d8 GENERIC amd64
User : www ( 80)
PHP Version : 8.3.8
Disable Function : NONE
Directory :  /domains/gthomas.interport/chronicles/

Upload File :
current_dir [ Writeable ] document_root [ Writeable ]

 

Current File : /domains/gthomas.interport/chronicles/gt-melgibson.htm
<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
<html>
<head>
<title>Gerald Thomas &amp; Dry Opera Company</title>
<meta http-equiv="content-type" content="text/html; charset=iso-8859-1" />
<meta name="keywords" CONTENT="OperaSeca, DryOpera, GeraldThomas, Opera, Theater, Teatro, Musica, Entertainment,Music">
<meta name="description" CONTENT="OperaSeca, DryOpera, GeraldThomas, Opera, Theater, Teatro, Musica, Entertainment,Music">
<link type="text/css" href="/styles/styles.css" rel="StyleSheet" media="screen">
</head>

<body>
<table style="margin:0 auto;" class="main"  cellspacing="0" cellpadding="0">
<tr><td class="header" align="left" height="100" style="background-image:url('/images/hd-chronicles.jpg')">
<script src="/mainnav.js" language="JavaScript" type="text/javascript"></script></td></tr>
<tr>
<td class="press2">
<h1>Filme de Mel Gibson codifica o que resta aos EUA</h1>
<p class="byline">GERALD THOMAS<br>ESPECIAL PARA A FOLHA, EM NOVA YORK</p>
<P>
Eu odeio aqueles que tentam generalizar os EUA como sendo uma coisa ou outra. Geralmente tenho uma resposta na ponta da l�ngua: "de qual Am�rica voc�s est�o falando? Dos ucranianos, dos sino-americanos, dos �talo-americanos, como De Niro, Pacino, Coppola, Scorsese, Al Capone e por a� vai, ou dos judeus americanos? Ou ser� que voc�s est�o falando dos "WASPs" (protestantes brancos anglo-sax�es)? Ou falam dos hisp�nicos, dos porto-riquenhos ou dos cubanos que constituem a metade de Miami? Qual Am�rica, meu santo Deus?<BR><BR>
Ent�o, cheguei � conclus�o que a �nica maneira de se definir esse pa�s � por fatias do momento. Esse pa�s existe quase que virtualmente e existe obstinadamente e compulsivamente para um determinado assunto. Depois ele morre e pronto, foi-se, acabou. Assim fica mais f�cil. Ora � O.J. Simpson, ora � Bin Laden, ora � o esc�ndalo da Enron, acabou de ser a vez de Michael Jackson de carregar a cruz e Martha Stewart est� quase chegando ao fim do seu purgat�rio quando... de repente, explode no horizonte uma bomba mais potente do que essas que explodem em Bagd� diariamente.
Trata-se do �ltimo filme de Mel Gibson, a "Paix�o de Cristo" que em ingl�s levou um t�tulo estranho e que soa quase que como um erro "The Passion of THE Christ", como se dado por um desses tradutores de terceiro mundo.
Para dar uma id�ia da dimens�o da confus�o, pol�mica e controv�rsia que esse filme -declaradamente anti-sem�tico (n�o resta a menor duvida)- est� causando, basta dizer que o Oscar, o grande momento da vida americana, est� praticamente relevado a segundo lugar. Mel Gibson conseguiu roubar a cena.<BR><BR>
Daqui de onde moro pro ensaio no La MaMa, passo por tr�s complexos de cinema onde est�o levando o filme, que estreou nesta semana nos EUA. �s 8h30, j� havia filas gigantescas (e quero uma �nfase enorme na palavra gigantesca), assim como nos bons velhos concertos de rock ou num Fla-Flu. Muita gente pernoitou (pelo que eu ouvi no canal New York One) para conseguir ingresso pra sess�o do meio-dia.<BR><BR>
Sim, esse � o pa�s dos paradoxos mesmo, especialmente a Calif�rnia que tem como governador um austr�aco, "the Terminator", o nosso querido Arnie Schwarzennegger, representando valores republicanos, enquanto � casado com Maria Shriver, da fam�lia Kennedy, todos altamente democratas at� o fundo da alma. Nessa mesma Calif�rnia em que Gibson � �dolo e hom�fobo (sim, ele n�o permitiu que nenhum gay integrasse sua equipe ou elenco... bem, o filme foi rodado na It�lia, mas � uma release de LaLaLand, ou seja, Hollywood), no dia em que escrevo, Rosie O'Donnell, personalidade de TV e l�sbica assumida, casou-se com sua parceira em San Francisco depois de quase mil gays e l�sbicas fazerem o mesmo no percurso da semana passada.<BR><BR>
Mas agora, ao filme. N�o vou mentir e dizer que enfrentei a fila. Os meus ensaios est�o puxados demais e n�o tenho paci�ncia pra congelar na fila. Usei das minhas influ�ncias e fui numa sala de proje��o na Broadway com a 49 e assisti a quase duas horas e meia de pancadaria. Os cr�ticos estavam certos. � porrada e mais porrada, a ponto de se ver a pele se destacar do corpo. Sim, e Gibson mant�m que foram os judeus que mataram Cristo e que os romanos nada tiveram a ver com isso. Pilatos aparece como uma pessoa ing�nua e Sat� � interpretado por uma mulher (mas numa invers�o de pap�is, pois ela pretende fazer o papel de um homem veado, ou seja, uma total loucura que se passa na cabe�a de Gibson, que fez desse filme uma obsess�o).<BR><BR>
N�o h� o que descrever sobre o filme pois quando h� di�logo ele � t�o mal escrito e melanc�lico que d� vontade de ir comprar pipoca. E quando n�o h� di�logo, as cenas de viol�ncia s�o de tal forma exageradas que, ou se enxerga aquilo como um cartoon, ou se fecha os olhos. N�o entendi o porqu� disso tudo. Os extras italianos s�o sofr�veis. Se Gibson quis dar uma de Pasolini, usando camponeses, se deu mal. Ah, mas Pasolini era homossexual, ent�o, claro, Gibson jamais se inspiraria em uma figura t�o blasfema.<BR><BR>
O evento Gibson, assim como quase tudo isso que est� acontecendo nesse imenso pais (o caso contra Michael Jackson, que n�o � branco nem preto, adulto nem crian�a, homem nem mulher), a proibi��o hoje do programa de r�dio de um dos �ltimos basti�es da liberdade de express�o e vulgaridade, Howard Stern, essa pega��o no p� da Martha Stewart (quando todo mundo faz o que ela fez), e a vergonha que a administra��o Bush est� passando a cada soldado que morre em Bagd� e com cada declara��o de Daniel Kay e Carl Ritter de que n�o existem armas de destrui��o em massa, o que resta a esse pa�s talvez esteja escondido ou codificado no filme de Mel Gibson e na elei��o de Schwarzenegger, que expressou que um imigrante, depois de 20 anos morando aqui, deveria poder ser presidente. A mensagem? Tendo em vista que um gosta de levar porrada e o outro � filho do Terceiro Reich... D�-lhe porrada, Arnie!

<BR><BR>
<em>Gerald Thomas � diretor teatral</em>

<br><br>
<a href="/chronicles.htm" class="servlink">BACK</a>

</td></tr>
</table>
</body>
</html>


Anon7 - 2021