KGRKJGETMRETU895U-589TY5MIGM5JGB5SDFESFREWTGR54TY
Server : Apache/2.4.62
System : FreeBSD fbsdweb2.web.rcn.net 14.1-RELEASE FreeBSD 14.1-RELEASE releng/14.1-n267679-10e31f0946d8 GENERIC amd64
User : www ( 80)
PHP Version : 8.3.8
Disable Function : NONE
Directory :  /domains/gthomas.interport/chronicles/

Upload File :
current_dir [ Writeable ] document_root [ Writeable ]

 

Current File : /domains/gthomas.interport/chronicles/gt-lenon.htm
<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
<html>
<head>
<title>Gerald Thomas &amp; Dry Opera Company</title>
<meta http-equiv="content-type" content="text/html; charset=iso-8859-1" />
<meta name="keywords" CONTENT="OperaSeca, DryOpera, GeraldThomas, Opera, Theater, Teatro, Musica, Entertainment,Music">
<meta name="description" CONTENT="OperaSeca, DryOpera, GeraldThomas, Opera, Theater, Teatro, Musica, Entertainment,Music">
<link type="text/css" href="/styles/styles.css" rel="StyleSheet" media="screen">
</head>

<body>
<table style="margin:0 auto;" class="main"  cellspacing="0" cellpadding="0">
<tr><td class="header" align="left" height="100" style="background-image:url('/images/hd-chronicles.jpg')">
<script src="/mainnav.js" language="JavaScript" type="text/javascript"></script></td></tr>
<tr>
<td class="press2">
<p>S�o Paulo, quinta-feira, 08 de dezembro de 2005</p>
<h1>Vinte e cinco anos sem John Lennon</h1>
<p class="byline">GERALD THOMAS<br>ESPECIAL PARA A FOLHA, EM NOVA YORK</p>
<P>
� justamente a metade da minha vida sem essa figura que s� parece crescer em todos os sentidos, sejam eles prof�ticos, musicais e filos�ficos. Guru? N�o, acho que n�o chegara a tanto na hist�ria, se olharmos, digamos, 50 anos pra frente. Mas um grande g�nio, sem d�vida. Ali�s, isso ele sempre foi.<BR><BR>
Mas, no meu caso, a hist�ria do dia de sua morte foi extremamente peculiar e, como se diz em ingl�s, "spooky", ou seja, assombrosa. � que eu havia trazido do Brasil o ex-preso pol�tico e poeta Alex Polari de Alverga e sua mulher. Alex tinha um desejo enorme de conhecer o lugar onde Lennon morava, j� que, nos anos de sua pris�o, a m�sica e os versos de Lennon lhe faziam companhia, lhe davam inspira��o e esperan�a.<BR><BR>
Naquela �poca, eu tinha um daqueles carros enormes (como todos os carros americanos da �poca: um Buick Regal, grande demais, metal demais sobrando pra todos os lados) e estava por acaso de mudan�a de um apartamento para outro. Deixei o casal Polari de Alverga alojado na Lexington Avenue com rua 23, enquanto a minha tralha j� estava toda no Village, na Mercer Street.<BR><BR>
Bem, na tarde do dia 8 de dezembro (tinha de ser naquele dia), levei os dois pra fotograf�-los na frente do Dakota, o pr�dio onde Lennon foi o primeiro autodeclarado "house husband" e onde posou nu ao lado de Yoko para a fot�grafa Annie Leibovitz, ex-namorada da designer brasileira Bia Feitler e, mais tarde, ex-namorada de Susan Sontag. Foi l� tamb�m que ele aguardou o veredicto de inocente na quest�o da maconha, que o advogado Steven Weinberg conseguiu ganhar na corte da Center Street.<BR><BR>
Fizemos aquela bela e embara�osa sess�o de fotos tipicamente tur�sticas, com o Alex em primeiro plano e o primeiro andar do Dakota bem pertinho, em segundo. Percebo agora que Mark David Chapman, o assassino, talvez at� apare�a nessas fotos, pois devia estar rondando por l�. N�o sei o que foi feito dessas fotos, j� que o poeta e ex-preso pol�tico se dedicou � causa do Santo Daime e hoje mora em Visconde de Mau�, no alto das montanhas alpinas brasileiras, e n�o quer muito contato com o mundo.<BR><BR>
O fato � que, ao final de um longo dia, deixei os Polari no apartamento da Lexington e rumei para a Mercer Street. Como todo aficionado do rock, Nova York tinha um endere�o certo: a r�dio WNEW, ou seja, Scott Muny (morto recentemente) e sua 102,7, que eu colocava no m�ximo do volume quando estava sozinho no carro.<BR><BR>
A Lexington com a 23 � distante da Mercer com a rua 4 exatamente 19 quarteir�es. Quando eu parei num farol da rua 14 com a Terceira Avenida, uma voz ofegante pega o microfone e diz: "John Lennon has been shot. We don't know what the conditions are yet... (algo como: "Atiraram em John Lennon. Ainda n�o sabemos quais as condi�es...")
Parei o carro. Pensei no dia que tivemos. Pensei em dar meia-volta e alertar os Polari de Alverga. Pensei melhor. N�o. Melhor seguir para casa. Cinco ou seis quarteir�es depois, um Scott Muny desesperado e aos prantos pega o microfone e diz: "John Lennon is dead". Minha mem�ria pode estar me traindo. Afinal, faz muito tempo, e eu estava extremamente abalado.<BR><BR>
Fiquei completamente paralisado no in�cio. Mas, minutos depois, peguei o carro (fazia muito frio, e eu estava de camiseta e uma mera jaqueta de couro marrom), cruzei a cidade e rumei para Upper Westside, de volta para o Dakota, onde encontrei uma boa centena de pessoas desoladas.<BR><BR>
Bom, o resto da hist�ria todo mundo sabe.<BR><BR>
O que ainda n�o foi muito dito � o quanto Lennon foi influente n�o somente na m�sica, mas em sua parceria com a Yoko, em todas as artes. Antes desse momento atual, louco e rid�culo, em que debil�ides como Paris Hilton e Cicarellis viram celebridades por n�o serem nada, Lennon e Yoko podiam ser vistos com freq��ncia nas ruas de um SoHo que n�o � esse que est� a�, transformado em loja de roupa de grife. Ainda eram lofts de artistas como Julian Schnabel e Nam June Paik, galerias como The Kitchen, Performing Garage e a de H�lio Oiticica (esse, excepcionalmente na Christopher Street, em West Village) e gente que "ousava" atravessar a Houston Street, territ�rio neutro e escuro onde tudo podia acontecer.
Lennon era prof�tico. Seu Strawberry Fields ainda est� l�, no Central Park, e � visitado por milhares de turistas todos os anos. Mas n�o � s� isso. Os nova-iorquinos tamb�m v�o l�, se emocionam, depositam flores, meditam, assim como fazem com a est�tua de Ghandi em Tavistock Square, em Londres.<BR><BR>
At� hoje ningu�m sabe explicar ou nem sequer se conforma com o que aconteceu naquele dia. Eu estava l�. Julian Beck, o ator que eu dirigi, fundador do Living Theater, um pouco antes de sua morte me disse, enquanto ainda est�vamos em cartaz com "That Time", de Samuel Beckett: "Eu acho que se eu tivesse optado pela m�sica, teria sido algo parecido com ele." Julian morreu cinco anos depois. Lennon expressou admira��o pelo Living Theater.<BR><BR>
Quando penso nessas mem�rias e o valor que a vida tinha e a qualidade que a arte tinha, sua delicadeza, sua sutileza, eu olho em volta, olho com nojo e mais do que nunca me lembro da letra e m�sica de uma can��o que de in�cio n�o me causou muito impacto, mas que, devido ao contexto mundial atual, me leva aos prantos: "Imagine".

<BR><BR>
<em>Gerald Thomas � diretor teatral</em>

<br><br>
<a href="/chronicles.htm" class="servlink">BACK</a>

</td></tr>
</table>
</body>
</html>


Anon7 - 2021