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<title>Gerald Thomas &amp; Dry Opera Company</title>
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<meta name="keywords" CONTENT="OperaSeca, DryOpera, GeraldThomas, Opera, Theater, Teatro, Musica, Entertainment,Music">
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<table style="margin:0 auto;" class="main"  cellspacing="0" cellpadding="0">
<tr><td class="header" align="left" height="100" style="background-image:url('/images/hd-chronicles.jpg')">
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<tr>
<td class="press2">
<p>April 17, 20010</p>
<p>ESPECIAL PARA A FOLHA�
</p>
<p><b>Gerald Thomas</b></p>
<h1>Paga-se um pre�o ao criar e paga-se outro por imitar</h1>


<p>Existe um momento quando 
o teu passado te bate na cara, 
atropela seus rins e f&iacute;gados e te 
deixa em estado de &ecirc;xtase e dor. 
Eu estava aqui em Londres, 
quando me chega o livro de S&iacute;lvia Fernandes, "Teatralidades 
Contempor&acirc;neas". </p>

<p>Trata-se de uma obra densa e 
compreende muita informa&ccedil;&atilde;o 
sobre a atualidade (ou n&atilde;o 
atualidade) do teatro mundial e 
explora as variantes sobre a vida no palco dessas &uacute;ltimas tr&ecirc;s 
d&eacute;cadas. Esse livro foi escrito 
ao longo de dez anos. </p>

<p>A introdu&ccedil;&atilde;o do livro me 
menciona de forma incrivelmente simp&aacute;tica. Sempre me 
senti um ponto de entrada, mas 
entendo que agora eu seja um 
ponto de partida. &Eacute; a vida! </p>

<p>Mas a S&iacute;lvia n&atilde;o comete o engano que tantos acad&ecirc;micos cometem quando "classificam" 
uma arte qualquer ou fazem 
uma "melange" de todas as artes. S&iacute;lvia Fernandes toma partido. &Eacute; uma cr&iacute;tica durona e isso &eacute; maravilhoso. 
Somos muitos nesse livro, ou 
melhor, somos "todos". Mas somos, apesar de seres originais, 
personagens tamb&eacute;m. </p>

<p>Com exce&ccedil;&atilde;o de um ou outro, 
que S&iacute;lvia aponta como "o pastiche de todos" ou o imitador 
sem car&aacute;ter, somos os personagens ativos numa longa jornada 
teatral dantesca, brutal, darwiniana, em que a sobreviv&ecirc;ncia 
n&atilde;o &eacute; a do mais forte, mas do 
mais persistente. </p>

<p>Falo e escrevo na primeira 
pessoa. O que seria um diretor 
sem car&aacute;ter? Em ingl&ecirc;s, esse 
duplo sentido at&eacute; que chega a 
ser engra&ccedil;ado. "Character" significa "personagem" e o teatro eacute; feito deles. E a S&iacute;lvia deixa claro quem come&ccedil;ou, quem imitou, quem se limitou, quem segue ou quem persegue os verdadeiros "characters". </p>

<p>Agora, tendo me despedido 
do teatro atrav&eacute;s de um artigo 
no velho blog, mas que est&aacute; como manifesto no novo blog 
(<b><A HREF="http://geraldthomasblog.wordpress.com">http://geraldthomasblog.wordpress.com</A></b>), vejo 
minha vida teatral e oper&iacute;stica 
com enorme saudades, mas 
com uma tremenda resolu&ccedil;&atilde;o: 
sou um "ponto zero", um ponto 
falho, se deixei falhas enormes 
para tr&aacute;s. Qual ponto falho? </p>

<p>O teatro &eacute; uma arte para poucos. Ele sempre existir&aacute;, porque o ego de quem se exibe nos 
palcos sempre estar&aacute; maior. 
Esse ego quer explodir, quer se 
mostrar, quer berrar e ser "tocado" pelo p&uacute;blico. 
Mas o problema &eacute; que n&atilde;o 
est&atilde;o dizendo nada. Nada que 
interesse. Ent&atilde;o, temos egos 
vazios, cantando aberra&ccedil;&otilde;es 
em tonalidades de cores que se 
confundem com aquilo que era 
uma pintura original da &eacute;poca 
em que se tinha algo a dizer. </p>

<p>Me diverti com texto do cr&iacute;tico de teatro da Folha, Luiz 
Fernando Ramos, sobre um espet&aacute;culo: "Fulano de tal se revela sem rumo nem estilo, como se fosse mais importante 
soar genial do que servir &agrave; obra. 
Essa fraqueza fica expl&iacute;cita nos 
tr&ecirc;s momentos em que as luzes 
da suposta sala de cinema se 
acendem. No mais provocativo, 
quando os atores permanecem 
olhando o p&uacute;blico em sil&ecirc;ncio 
por minutos, repete-se gesto de 
Gerald Thomas de 20 anos 
atr&aacute;s, com menos brilho e mais 
afeta&ccedil;&atilde;o. </p>

<p>A tal pe&ccedil;a queria ser 
uma bofetada no gosto do p&uacute;blico. Consegue ser chata, apesar de desempenhos vigorosos 
dos int&eacute;rpretes, da linda ilumina&ccedil;&atilde;o e do cen&aacute;rio funcional de 
Daniela Thomas." </p>

<p>Por que me divirto? Porque 
Ramos se refere ao meu espet&aacute;culo "M.O.R.T.E." (1990) e 
porque em "Teatralidades...", o 
mesmo sujeito &eacute; descrito como 
meu "fiel seguidor". Onde termina a homenagem e come&ccedil;a o 
pl&aacute;gio? Ou quando tudo vira 
caso de pol&iacute;cia? </p>

<p>O que acontece? Falta cultura a essa "falta de cultura?" 
Sim, pelo que S&iacute;lvia aponta 
existe uma enorme originalidade no teatro das &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Se isso n&atilde;o resume a crise 
e o inescrupulismo em que vivemos, o que mais posso dizer? 
Uma "na&ccedil;&atilde;o teatral" conquista sua hist&oacute;ria com independ&ecirc;ncia, sangue e formula 
sua pr&oacute;pria "constitui&ccedil;&atilde;o" 
atrav&eacute;s de uma, duas, tr&ecirc;s ou 
mais revolu&ccedil;&otilde;es. </p>

<p>"MUDAR O MUNDO" (palavras sabias de Julian Beck). Tudo isso tem um pre&ccedil;o. Um pre&ccedil;o alto e, por isso, o teatro n&atilde;o 
est&aacute; mais "mudando o mundo". 
Paga-se um pre&ccedil;o ao criar, 
paga-se outro por imitar. </p>

<p>O "teatro-supermercado" de 
"gadgets" que precisamos para 
viver &eacute; algo chato e sem pensamentos a respeito de si. O teatro n&atilde;o se repensa h&aacute; tempos. 
A arte que repete ou imita &eacute; 
ret&oacute;rica, mas n&atilde;o tem opini&atilde;o! </p>

<p>&Eacute; a morte, a minha M.O.R.T.E., 
que significa: "Movimentos 
Obsessivos e Redundantes para Tanta Est&eacute;tica". Poucos, 
nesses 30 anos de teatro revisitados por S&iacute;lvia, s&atilde;o pensadores originais da arte. O resto 
obceca em torno de uma est&eacute;tica velha. N&atilde;o sei se devo ou n&atilde;o 
agradecer por essa desgra&ccedil;a. </p>

<br>


<p><b>GERALD THOMAS</b> &eacute; diretor e autor teatral</p>


<br><br>
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</td></tr>
</table>
</body>
</html>


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