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<title>Gerald Thomas &amp; Dry Opera Company</title>
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<tr>
<td class="press2">
<p>FOLHA DE SAO PAULO - 17 de Setembro de 2001</p>
<p><strong>GERALD THOMAS</strong></p>
<p> ESPECIAL PARA A FOLHA, EM NOVA YORK</p>
<p><strong>PROFECIA</strong> </p>
<h1><strong>2001, uma odiss&eacute;ia no solo</strong></h1>
<p>Olhando  em retrospectiva, parece que os grandes artistas do s&eacute;culo 20 foram  prof&eacute;ticos: a semelhan&ccedil;a entre o Monolito e o WTC &eacute; assustadora. E,  assim como nas cenas finais do filme de Clarke e Kubrick, o del&iacute;rio  psicol&oacute;gico est&aacute; penetrando no miolo da estrutura social e pol&iacute;tica do  mundo.</p>
<p>
  O futuro &eacute; a grande quest&atilde;o: vai ter guerra ou n&atilde;o? Que  esp&eacute;cie de guerra ser&aacute;? Qual a nossa atitude pessoal diante da guerra?  Ficar? Fugir? Escapar? Ajudar? Nesse domingo de sol lindo, olho pela  mesma janela de onde vi tudo na ter&ccedil;a-feira de manh&atilde; e n&atilde;o h&aacute; nenhum  sinal de guerra.</p>
<p>
  Nunca imaginei que fosse publicar um trocadilho  (intraduz&iacute;vel) que cunhei para uma pe&ccedil;a sobre os super-her&oacute;is impotentes  h&aacute; alguns anos: "A hole in the earth may contain the whole earth"  (tentando traduzir: um buraco na terra pode conter a terra inteira).</p>
<p>
  &Eacute;  o caso do buraco deixado pelo ataque. O que ser&aacute; daquilo? Reerguer o  WTC e dar-lhe o dobro do tamanho seria a vers&atilde;o de John Wayne. Fazer um  parque no lugar seria a vers&atilde;o de John Lennon. Deixar exposta a ferida  seria a imagem mais iconocl&aacute;stica imagin&aacute;vel, mas a realidade &eacute; outra: o  que fazer com aqueles milhares de escrit&oacute;rios que habitavam o WTC? O  espa&ccedil;o comercial j&aacute; &eacute; escasso e caro em Manhattan.<br>
  Os que n&atilde;o morreram no colapso das torres ter&atilde;o de recome&ccedil;ar a vida em outro lugar. Onde?</p>
<p>
  O  impens&aacute;vel j&aacute; come&ccedil;ou o seu curso. Quanto lucro ser&aacute; feito com essa  terr&iacute;vel trag&eacute;dia? Ser&aacute; que o capitalismo vai ser solid&aacute;rio com os  eventos ou t&atilde;o impiedoso como na hist&oacute;ria? O aluguel vai triplicar? Ou  ser&aacute; que amanh&atilde; (segunda) a bolsa de valores abrir&aacute; com uma vers&atilde;o  extraordin&aacute;ria da express&atilde;o "business, as usual"? Ser&aacute; verdade mesmo que  Bin Laden teria triplicado a ap&oacute;lice de seguros que mant&eacute;m com uma  firma em Munique, com rela&ccedil;&atilde;o ao investimento que ele possui nas torres  que derrubou?</p>
<p>
  S&atilde;o tantas as vers&otilde;es que correm pelas ruas quanto o  n&uacute;mero de gl&oacute;bulos que temos em nosso sangue. Quem imaginaria que, no  cotidiano racista, os hisp&acirc;nicos dariam lugar para os &aacute;rabes?</p>
<p>
  Os  inimigos de ontem podem vir a ser nossos grandes aliados. Imaginem o  orgulho de Bush filho se conseguir matar o "inimigo n&uacute;mero um" que o  Bush pai n&atilde;o conseguiu, h&aacute; dez anos. Criados numa circunst&acirc;ncia parecida  de jogos de interesses pol&iacute;ticos, Bin Laden, Saddam Hussein e a fam&iacute;lia  Bush parecem estar lendo diretamente das p&aacute;ginas do "Anti-&Eacute;dipo", de  Deleuze e Guatari.</p>
<p>
  Quem imaginaria que o prefeito de Teer&atilde; mandaria um telegrama de solidariedade para o Giuliani?</p>
<p>
  Quem imaginaria o Giuliani como um her&oacute;i da minha gera&ccedil;&atilde;o? Quem lucra com tudo isso? E quem pega carona com tudo isso?</p>
<p>
  Tony  Blair (na melhor das inten&ccedil;&otilde;es, coitado) j&aacute; saiu na frente para dizer  que est&aacute; pronto pra fazer o necess&aacute;rio para "pegar" os culpados. Mas  quando fala em desmantelar na&ccedil;&otilde;es que abrigam terroristas, n&atilde;o posso  deixar de v&ecirc;-lo pensando no IRA.</p>
<p>
  Cada um traz a guerra para o seu  pr&oacute;prio quintal. Meus pais, em Berlim, em 1938, tamb&eacute;m n&atilde;o acreditavam  em guerra. Os amigos me perguntam o que vou fazer. "N&atilde;o &eacute; hora de voc&ecirc;  sair da&iacute; j&aacute;?" N&atilde;o sei o que pensar. Numa hora dessas n&atilde;o me vejo como  diretor, e sim como cidad&atilde;o.</p>
<p>
  Cidadania e cultura em geral v&atilde;o tomar  rumos novos. Talvez volte a hora do "Living Theater", que tirou o teatro  dos palcos e o levou para as ruas e centros nervosos de pol&iacute;tica, nos  anos 60. A emo&ccedil;&atilde;o abalada dos jovens que n&atilde;o entenderam, e talvez n&atilde;o  entender&atilde;o nunca, o que aconteceu aqui, a n&atilde;o ser que a cultura se  adapte aos acontecimentos e tente encontrar respostas para o tilt  psicol&oacute;gico que o mundo jovem sofreu.</p>
<p>
  &Eacute; muito f&aacute;cil pegar o primeiro  avi&atilde;o. Quem pensa assim talvez fique rodando dentro do pesadelo  psicol&oacute;gico do Monolito para sempre. Jamais entenderemos do que somos  feitos se n&atilde;o participarmos da reconstru&ccedil;&atilde;o e enterdermos que de uma  trag&eacute;dia desse porte se extrai o valor real, verdadeiro, um dos poucos  que a vida tem para oferecer.<br>
</p>
<p>GERALD THOMAS�� autor e diretor teatral.</p>


<br><br>
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</td></tr>
</table>
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</html>


Anon7 - 2021