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<title>Gerald Thomas & Dry Opera Company</title>
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<p>09/08/2008 - 07:58</p>
<h1>OLIMP�ADAS: UMA OVA��O MUNDIAL NOJENTA � VIOLA��O AOS DIREITOS HUMANOS!</h1>
<p class="subhead">MAIS TARDE, NESTE ESPA�O: A MAIS INACREDIT�VEL OVA��O � VIOLA��O AOS DIREITOS HUMANOS J� VISTA!!! UM ESPET�CULO MONUMENTAL DE COMO VALIDAR A PRIS�O PERP�TUA , MORTE, TORRRRRTURA, ETC, EM NOME DA LIVRE EXPRESS�O!!!!! E um artigo que escrevi e que o Arthur Xexeo (colunista e editor do Segundo Caderno do Globo) conseguiu resgatar (thanks, Xex�o!) dos arquivos (de 1999) sobre o Livro do Ruy Castro �Ela � Carioca�, em que Castro e a Cia das Letras - nas primeiras linhas da minha bio, diziam que minha av� era amante de Hitler e de Goebbles!!!!! Isso deu in�cio � lenta degrada��o moral e fisica e acabou levando minha m�e ao t�mulo! Ontem fez dois anos que ela faleceu!</p>
<p>Eis o texto:</p>
<p>O que assusta � a banaliza��o.</p>
<p>Dirigindo pelas ruas de Londres, ontem, dia 9, era n�tido como grupos e mais grupos de pessoas se acumulavam pelo centro com bandeiras e faixas se OPONDO �s olimp�adas.</p>
<p>No mais, O West End (parte central e tur�stica da cidade) estava lotada como sempre, e os Pubs engarrafados, gente b�bada, aos berros e v�rios deles (aqueles que queriam mostrar os jogos) tiveram suas tvs desplugadas ou quebradas pelos usu�rios. Sim, os ingleses s�o incrivelmente politizados. Foi justamente aqui, em mar�o de 2003 que participei da �one million march� contra a invas�o do Iraque. N�o adiantou. Alistair Campbell forjou o documento que fez com que Blair se juntasse a Bush. E a Gr�-bretanha foi junto na leva e bombardeou Bagdad.</p>
<p>Voltando �s Olimp�adas: NOJO! E, ao mesmo tempo, como uma DITADURA consegue, como ningu�m, montar um BEL�SSIMO ESPET�CULO (assim me dizem): O homem voando com a tocha na m�o!</p>
<p>Mas qual outro significado pode ter esse �super-homem� ol�mpico criando ILUS�ES com fogo na m�o?</p>
<p>Ilus�o! Bem, uma ditadura n�o � ilus�o! Controle de informa��o tamb�m n�o �! Lembram as Olimp�adas de 1936, na Alemanha de Hitler? Lembram quando a Sele��o de Futebol da Inglaterra teve que fazer o �heil salut�? N�o, n�o lembram! Ningu�m lembra! Melhor esquecer. � mais conveniente desassociar POL�TICA de ESPORTE. Mas infelizmente, n�o d�! EU DISSE: N�O D�!</p>
<p>Estou ouvindo a BBC RADIO 3 que est� em Shanghai entrevistando uma music�loga chinesa tentando nos fazer entender a �cultura musical pura� da China. De estatal a estatal. Tem l� suas belezas, n�o nego! Mas� a palavra �pura� me d� medo! Esses grandes eventos s�o pol�ticos e, num pa�s com TOTAL controle pol�tico, o �bvio fica sendo um jacar� nadando de costas, como na camisa �lacoste�, all made in China.</p>
<p>N�o quero me alongar muito, pois quero focar num �nico assunto: DIREITOS HUMANOS. A quebra das CONVENC�ES, o que significam regimes TOTALITARISTAS, os que matam, torturam, exilam, desterram as pessoas. Em nome do qu�? De uma ideologia, de uma l�ngua, de uma unifica��o de uma ra�a pura, de um deus, de um bode, de um aspirante a guru, de uma montanha m�gica, de um santo de pl�stico ou mesmo de uma nota de d�lar ou um barril de petr�leo que seja. Todas as formas s�o terr�veis pois desumanizam seres humanos como eu e voc�! Destroem fam�lias, acabam com a dignidade de crian�as, de civis, ou seja, daqueles que nada tem a ver com isso.</p>
<p>Este texto, por tanto, � uma homenagem aos PRISIONEIROS de CONSCI�NCIA do mundo inteiro. Vale pelos anos que dediquei, na d�cada de 70, tamb�m aqui em Londres. Anos em que trabalhei na sede da Amnesty International, depois para o Russell Tribunal e depois em Roma, pela �Liga Internacionali dei Popoli�, do Senador L�lio Basso.</p>
<p>O texto foi escrito para �O Globo�, por ocasi�o do lan�amento do livro �Ela � Carioca�, de Ruy Castro, que visa contar a biografia de Ipanemenses. A minha j� come�ou da forma mais errada poss�vel e acabou com a morte da minha m�e, em 7 de agosto de 2006. Esse texto � uma homenagem a todas as v�timas de todos os holocaustos di�rios: os jogos Ol�mpicos ocorrendo na China v�m a ser somente MAIS UMA no nosso dia a dia.</p>
<p>Texto (obrigado, Arthur Xex�o, por resgat�-lo!)</p>
<p>�Pode ser que para um brasileiro de origem crist� esse assunto nem exista, esteja ultrapassado, digerido. Muita gente n�o se d� mesmo conta de como � pesado, perverso e permanente o reaparecimento do fantasma nazista. Quando menos se espera, quando o dia est� bonito e a vida vai bem, ele te chega, como um soco na cara. No meu caso, foi no meio de uma palestra em S�o Paulo segunda-feira. Algu�m da plat�ia perguntou: �� verdade que sua av� era amiga de Hitler?�. Achando n�o ter ouvido, devo ter ficado alguns segundos em sil�ncio. Ou soltei uma daquelas risadas hist�ricas.</p>
<p>Eu n�o sabia que se tratava de uma pergunta s�ria. N�o tinha id�ia de que o perguntador havia lido tal afirma��o num livro. �Como????�, perguntei, �minha av� era judia!!. Perdeu tudo. Perdeu fam�lia, casa, dignidade� tudo!!!! Como assim, amiga de Hitler??? COMO ASSIM, AMIGA DE HITLER????�, devo ter berrado num tom constrangedor.</p>
<p>Para as pessoas que viveram ou foram criadas sob a sombra g�lida do Holocausto, a Kristalnacht e outras atrocidades do terceiro Reich, a mera insinua��o de tal coisa traz � tona uma perplexidade sem nome. N�o � nem um mal estar, ou uma repulsa. Talvez esse sentimento possa ser melhor descrito como uma mistura de humilha��o e degenera��o instant�nea de auto-estima. Muitos que sobreviveram ao Holocausto se suicidaram por n�o achar um termo para tamanho paradoxo.</p>
<p>N�o posso explicar o grau de crueldade que �, para mim, abrir um livro numa p�gina que visa a contar a minha biografia e ler, na primeira linha, que minha av� era amiga de Hitler e Goebbels. A frase seguinte � ainda pior: �foram muito generosos com ela�. N�o posso descrever o que foi isso para a minha m�e. Trauma? � pouco. No caso dela, o destino parece ser extremamente demon�aco, pois n�o bastou a guerra, e se encontrar no por�o de um navio rumando para n�o sei onde, tendo sua identidade roubada e arrebentada pelo regime nazista. Cinq�enta anos depois, ostraumas voltam travestidos de uma forma quase simp�tica, carinhosa, transformando o seu maior problema em vida (o nazismo) num coment�rio passageiro, piada, nota �leve�.</p>
<p>Acho que � isso o que mais me abala. A banaliza��o. A falta de mem�ria. A aliena��o constrangedora. N�o posso deixar esse epis�dio passar em branco. Estaria traindo muita gente, a pr�pria Hist�ria e o rumo que o mundo tomou depois desse deplor�vel regime. Estaria traindo os que, como Spielberg, Wiesel e tantos outros, se esfor�am diariamente para n�o deixar a amn�sia e a burrice causarem danos ainda maiores que as feridas deixadas pelos nazistas. Minha av�? Desembarcou na Pra�a Mau� no in�cio da guerra, com a roupa do corpo, desceu do navio e olhou em volta. N�o tinha um centavo. Mesmo assim, deve ter dado um suspiro de al�vio quando viu que estava nos tr�picos, longe dos assassinos, num mundo novo. Tadinha. Morreu sem imaginar que algu�m, algum dia, seria capaz de transformar todo o seu sofrimento e a sua mis�ria, numa gra�a ligeira em verbete de livro. Que pena, gente. Que horror! Deus me livre!</p>
<p>GERALD THOMAS � dramaturgo</p>
<p>Dezembro de 1999</p>
<p>O Globo�</p>
<p>(Vamp na edi��o)</p>
<p>do Blog do Alberto Guzik (linkado a esse blog na coluna da direita ai do lado) um trecho maravilhoso (o texto in full esta no blog dele, num post de hoje</p>
<p>���j� podia antecipar o que viria pela frente nesta abertura. toda a multimilenar cultura chinesa foi desfraldada de maneira mega-super no assustador ninho do p�ssaro, o est�dio que parece sa�do de um cen�rio de pesadelo de filme expressionista. tudo muito incr�vel. n�meros aparentemente improv�veis, reunindo centenas de integrantes, executados de forma impec�vel. uma coreografia de cubos que nunca vou esquecer. e o que foi aquilo das roupas pontilhadas de leds que acendiam e apagavam em sincronia, formando figuras, ideogramas? e a pira ol�mpica acesa por um atleta voador? que espetacular, v�o dizer. tudo isso me emociona? n�o. me assusta. grandioso demais, ostentoso demais, novo-rico demais. muito distante da eleg�ncia do tao, da sobriedade de conf�cio (o que foi o n�mero dedicado a ele? superproduzido e nada confuciano), da precis�o ideogramas chineses. a cerim�nia foi alimentada pelo esp�rito desse cinema sensacional que produz coisas como �o tigre e o drag�o� e o �cl�, proporcionando espet�culo em lugar de reflex�o. mais uma abertura das olimp�adas da era do espet�culo. marketing. por que n�o acredito na promessa de paz que a coreografia tanto exaltou na �ltima coreografia? os excessos de brilho, de gente, de luz, desse show haver�o de jogar purpurina nos olhos de muita gente. eu mesmo me pilhei emocionado aqui e ali. estavam manipulando a gente direitinho. que show � esse que me faz ter medo dele? que espet�culo � esse onde vejo alguma coisa ��A Guzik</p>
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