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<title>Gerald Thomas & Dry Opera Company</title>
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<td class="press2">
<p>04/10/2008 - 09:37</p>
<h1>Gerald Thomas entrevista Judith Malina</h1>
<p class="subhead">�Temos de rir�, diz Judith Malina Diretora do Living Theatre vem ao Brasil receber medalha por repara��o pelo fato de ter sido presa durante a ditadura. <br>Al�m da homenagem, Malina tamb�m dar� aulas para atores na Casa das Artes de Laranjeiras, no Rio de Janeiro</p>
<p class="byline">GERALD THOMAS</p>
<p>ESPECIAL PARA A FOLHA</p>
<TABLE><TR><TD><IMG SRC="/images/chronicles/judith-malina.jpg" ALT="" BORDER="0"></TD></TR><TR><TD><em><p>Judith Malina, diretora do grupo Living Theatre, que estreou pe�a baseada em Edgar Allan Poe em Nova York, durante entrevista</em></p></TD></TR><TR><TD><p class="credit">photo: Fabiana Guglielmetti</p></TD></TR></TABLE>
<p>GERALD THOMAS<BR>
ESPECIAL PARA A FOLHA</p>
<p>
Confesso que meus joelhos estavam tr�mulos quando o �yellow cab� me deixou na esquina da East Houston com Clinton Street, em Nova York. Andei alguns passos, e tomei f�lego para ir at� os �headquarters� do Living Theatre. Vi a prepara��o de �Eureka�, adapta��o de texto de Edgar Allan Poe que estreou nesta semana no espa�o do grupo, e subi ao segundo andar, onde mora Judith Malina, sua diretora. O Living Theatre foi um dos grupos de teatro mais influentes do mundo. Sem a filosofia deles, n�o ter�amos hoje o Oficina, no Brasil (leia ao lado). Sim, � triste sim, porque a �ltima vez em que nos vimos, em maio, ela estava deitada numa esteira no meio da sala, dezenas de pessoas ao redor. Seu companheiro de 40 anos, Hanon Reznikov, havia morrido no dia anterior. Eu tinha ido ao enterro em Paramus, Nova Jersey. Ela nos olhava como se seu mundo fosse acabar ali. O mundo da �ltima beat iria acabar sem deixar um �ltimo berro, um �ltimo manifesto: Hanon morreu abruptamente, de um derrame, aos 57, de repente. Durante o enterro, eu n�o parava de olhar pra essa jovem alem� pequena, de 82 anos, que tamb�m me olhava e cochichava em meus ouvidos �What went wrong, Gerald?� (O que deu errado, Gerald?). Ambos olh�vamos o caix�o em que o corpo de Hanon cozinhava num calor de 32�C e meus olhos iam pra tumba de Julian Beck (1925-1985), o primeiro marido de Judith, l�der e fundador do Living Theatre, tamb�m enterrado ali. Eu estava no enterro do Julian em 1985. Ele morreu durante a turn� de um espet�culo meu, a �Beckett Trilogy�, em que atuou, pela primeira vez fora do seu Living. Beck e Beckett, onde um homem ouvia sua pr�pria voz em tr�s fases diferentes de sua vida no passado. As filas no La MaMa davam voltas no quarteir�o: o povo sabia que ele estava com c�ncer terminal. Eu fazia o meu meta-teatro e eles vieram dizer o seu adeus. Um homem quase morto ouvindo vozes do passado: era de levantar a pele! Na semana passada, subindo as escadas pro apartamento, depois de seis meses sem v�-la, encontrei-a bem humorada, �s vezes aos prantos, jovial, energ�tica e divertida. Levantou num pulo. Algumas v�rias l�grimas durante a entrevista. Judith Malina receber� a Ordem do M�rito Cultural do Minist�rio da Cultura brasileiro na pr�xima ter�a, em cerim�nia a ser realizada no Teatro Municipal do Rio, com a presen�a do presidente Luiz In�cio Lula da Silva e do ministro da Cultura, Juca Ferreira. Em 1971, membros de seu grupo foram presos acusados de participar de atividades subversivas. Leia abaixo trechos da conversa com Malina.</p>
<p>JUDITH MALINA - Ainda n�o posso ser deixada sozinha. Nunca fui deixada sozinha desde o Julian, que me colocava tr�s refei�es por dia na mesa� N�o sou bipolar, mas sou exagerada, voc� me conhece, tenho energia demais e preciso exercit�-la</p>
<p>GERALD THOMAS - Mas todos te v�em como uma super-mulher. A batalhadora, quase invenc�vel.</p>
<p>MALINA - Que nada. Sou in�til pra coisas pr�ticas. N�o sei lidar com coisas reais, atender um telefone, nunca precisei escrever um cheque, n�o sei o que � uma conta de luz.</p>
<p>THOMAS - E o espet�culo, �Eureka�?</p>
<p>MALINA - Estamos fazendo essa produ��o com garra e com zero tost�es.</p>
<p>THOMAS - Mas com voc�s foi sempre assim�</p>
<p>MALINA - Mas agora vendemos todas as pinturas de Julian e n�o sei como continuar. Voc� sabe que as coisas pioraram no mundo do teatro.</p>
<p>THOMAS - Nem me fale!</p>
<p>MALINA - Aqui e no mundo inteiro. Precisamos berrar mais do que nunca. Ou seremos enterrados vivos. Estou indo pro Brasil receber uma medalha de honra de repara��o de danos. Gosto muit�ssimo do Brasil. Ali�s, � o pa�s de que mais gosto. Brasil primeiro, It�lia depois e, sei la qual � o terceiro.</p>
<p>THOMAS - Voc� vai dar workshops na Casa das Artes de Laranjeiras�</p>
<p>MALINA - Porque sinto que os atores brasileiros t�m fome de saber. Te abra�am com tudo e se jogam sem medo. Nos outros lugares est�o com muito medo. Eu sou sobrevivente de guerra e me pergunto: �medo de qu�?</p>
<p>THOMAS - Te conto: ator hoje tem medo de falar de como perdeu a virgindade, a caretice � enorme. Cr�em que a hist�ria come�ou ontem.</p>
<p>MALINA - N�o que sejamos nost�lgicos. Mas existe uma gera��o que deletou ou n�o absorveu toda uma cultura de demonstra��o, de contracultura, de agitprop. Por isso quero escrever meus di�rios e o que Erwin Piscator me ensinou.</p>
<p>THOMAS - Uma condecora��o no Brasil substitui o tempo que voc� ficou presa?</p>
<p>MALINA - Nada vai tirar aquilo da minha mem�ria. Foi horr�vel, por isso esse di�rio da pris�o � importante (leia ao lado).</p>
<p>THOMAS - No in�cio da d�cada de 60, o teu teatro revolucionou o mundo. Na d�cada de 70, voc� estava confinada numa pris�o em Minas Gerais. Hoje, voc� tem liberdade para viajar e berrar. Mas adianta?</p>
<p>MALINA - Quero abra�ar o mundo com as pernas, com os bra�os. Amo tudo isso, amo estar viva e percebo que o mundo inteiro � um fracasso. Temos de rir.</p>
<p>GERALD THOMAS � autor e diretor teatral</p>
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<br><br>
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</table>
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