KGRKJGETMRETU895U-589TY5MIGM5JGB5SDFESFREWTGR54TY
Server : Apache/2.4.62
System : FreeBSD fbsdweb2.web.rcn.net 14.1-RELEASE FreeBSD 14.1-RELEASE releng/14.1-n267679-10e31f0946d8 GENERIC amd64
User : www ( 80)
PHP Version : 8.3.8
Disable Function : NONE
Directory :  /domains/gthomas.interport/chronicles/

Upload File :
current_dir [ Writeable ] document_root [ Writeable ]

 

Current File : /domains/gthomas.interport/chronicles/gt-010209.htm
<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
<html>
<head>
<title>Gerald Thomas &amp; Dry Opera Company</title>
<meta http-equiv="content-type" content="text/html; charset=iso-8859-1" />
<meta name="keywords" CONTENT="OperaSeca, DryOpera, GeraldThomas, Opera, Theater, Teatro, Musica, Entertainment,Music">
<meta name="description" CONTENT="OperaSeca, DryOpera, GeraldThomas, Opera, Theater, Teatro, Musica, Entertainment,Music">
<link type="text/css" href="/styles/styles.css" rel="StyleSheet" media="screen">
</head>

<body>
<table style="margin:0 auto;" class="main"  cellspacing="0" cellpadding="0">
<tr><td class="header" align="left" height="100" style="background-image:url('/images/hd-chronicles.jpg')">
<script src="/mainnav.js" language="JavaScript" type="text/javascript"></script></td></tr>
<tr>
<td class="press2">
<p>FOLHA DE SAO PAULO ILUSTRADA</p>
<H1>Grande imitador de Beckett, Pinter sempre me irritou</H1>
<p class="byline">GERALD THOMAS</p>
<p>ESPECIAL PARA A FOLHA, DE NOVA YORK</p>

<p>No v�deo de "aceita��o" que Harold Pinter, que morreu no dia 24 de dezembro, gravou para a "turma" do Pr�mio Nobel de Literatura em 2005, ele explica, em detalhes quase assustadores, como pensa uma pe�a, como monta um espet�culo. Ele diz que v� a cor negra e, a partir da�, constr�i algo, e que n�o pensa nos nomes dos personagens. Para Pinter, os personagens s�o, em princ�pio, A, B, C.</p> 
<p>Pinter sempre me irritou imensamente, era um grande imitador de Samuel Beckett. Um pretensioso imitador de Beckett que nesse v�deo se "dedura" de uma forma expl�cita. Ah, sim. Ele aceitou seu Nobel. Beckett, al�m de n�o dar a menor bola, em 1969, n�o fez discurso e n�o apareceu. Pinter era um enorme defensor de Slobodan Milosevic e outros cru�is ditadores!</p>
<p>N�o � � toa que um Pinter completamente debilitado e derrotado pelo c�ncer, em 2006, aparece como ator numa pe�a de Beckett, a mais chata de todas: "A �ltima Grava��o de Krapp". O que isso quer dizer? Que o autor n�o se pensava t�o autor assim, mas servia ("The Servant") a um outro autor maior que ele: Samuel Beckett. 
Isso tudo n�o quer dizer que esse judeu extremista casado com uma mulher da alt�ssima sociedade brit�nica (Lady Antonia Fraser) e tamb�m um alco�latra que enchia o saco de Beckett com perguntas, cartas e pedidos n�o tivesse l� uma grande import�ncia. E a imprensa brasileira quase n�o registrou a morte dele. Mas o que importa tudo isso? 
Ah, os sil�ncios nas pe�as de Harold Pinter. Sim, eles nos causavam um certo desconforto. Causavam na plateia dos anos 60 e 70 um enorme, digo, enorrrrme desconforto. Justamente por ser um outsider, Pinter via a aristocracia brit�nica criticamente, mas queria desesperadamente fazer parte dela. 
</p>

<p><strong>Teatro de gravat</strong>a</p>
<p>
Em seu casamento quase doentio com Lady Antonia Fraser (cujos livros vendiam mais que os dele), Pinter conseguiu subir de "classe", algo important�ssimo numa sociedade dividida em classes, em bairros "posh" ou "working class", em sotaques, como a de Londres. Harold Pinter, em "The Servant", raramente colocado no palco, d� mais uma mostra da sua influ�ncia hegeliana, o escravo e o senhor, Hamm e Clov ("Fim de Jogo", de Beckett), s� que com "terno e gravata". Sim, Pinter � um Beckett mais silencioso e de alta classe e com terno e gravata. Nelson Rodrigues sempre foi um brasileiro apaixonado.</p>
 
<p>Mueller, um alem�o que olhava na dire��o dos gregos e de Shakespeare e de seu mentor, Brecht. Como se v�, o s�culo 20 foi pontuado por autores que deixaram sua marca por algo "unique" e, no entanto, semelhante. O qu�? O bairrismo! E Harold Pinter? Dif�cil dizer. O "sil�ncio", a "crueldade"? N�o, �bvio que n�o. Artaud � o mestre da crueldade, pelo menos em teoria. Pinter � o mestre de nada. � o teatro de gravata, � o teatro imitativo, mas n�o se sabe bem do que: um judeu deslocado, enraivecido desde sempre porque n�o conseguiu encontrar suas ra�zes acima ou abaixo do palco. Um teatro de "smoking, tuxedo". 
Eu n�o conheci Harold Pinter. Mas ouvi Backett falando v�rias vezes sobre ele. N�o eram elogios, propriamente. Nem reclama�es, tampouco. Eram desabafos. 
</p>
<p>GERALD THOMAS � autor e diretor de teatro</p>

<br><br>
<a href="/chronicles.htm" class="servlink">BACK</a>

</td></tr>
</table>
</body>
</html>


Anon7 - 2021